Escola: .....................
Disciplina: Geografia
Ensino: MÉDIO
Série: 3º...................
Bimestre: 1º
Nº de aulas previstas no 1º bimestre:...
Professor:..................
1.Conteúdo previsto (1º bimestre)
1 - Regionalização do espaço mundial
2 - As regiões da ONU
3 - O conflito Norte e Sul
4 - Globalização e a regionalização da Economia
2. Competências e habilidades a serem desenvolvidas (1º bimestre)
- Estabelecer a diferenciação entre critérios de regionalização;
- desenvolver habilidades de leitura e produçãod e textos contínuos e descontínuos;
- ler e interpretar mapas para extrair informações que lhes permitam identificar singulareidades e destinções acerca da regionalização do espaço mundial;
- identificar dados representações e informações encontradas em cartas e mapas para comparar as diferentes perspectivas de compreensão do espaço mundial;
- relacionar diferntes linguagens como a cinematográfica e a cartográfica para extrair informações e elaborar textos sobre a realidade mundial;
- compreender os principais critérios de regionalização do espaço mundial adotados pelo Banco Mundial e PNUD;
- diferenciar os conceitos de PNB, PIB, PNB per capita, aplicando-os na leitura e interpretação de mapas;
- Conceituar IDH por meio do entendimento dos critérios considerados para elaboração desse índice;
- ler e interpretar mapas e gráficos sobre o IDH, emissões de Co2e migração internacional
3- Estratégias;
- leitura e interpretação de mapas;
- aulas expositivas
- apresentação de vídeos
4. Seqüência das atividades de ensino-aprendizagem e avaliação contínua relativa às Situações de aprendizagem relativo às situações de Aprendizagem 1,2,3,4 (1º bimestre)
- tarefas: tarefa em sala de aula como exercícios de fixação trabalhos de pesquisa
- avaliação e correção: provas dos conteúdos vistos, trabalhos e avaliação da organização do material dado em sala de aula.
5. Materiais de apoio pedagógico relativo às situações de Aprendizagem 1,2,3,4...
- lousa / giz
- livro didático / material impresso
- vídeos educativos
- aulas expositivas
- mapas e gráficos
6. Lições de casa previstas relativo às situações de Aprendizagem 1,2,3,4
- conteúdo dos cadernos de exercícios,
- pesquisas
- gráficos e mapas
7. Expectativas de aprendizagem (1º bimestre)
- habilidades necessárias à leitura e interpretação de textos, mapas, assim como conhecer novas tecnologias relativas aos temas abordados.
8. Instrumento de avaliação relativo às situações de Aprendizagem 1,2,3,4
- instrumentos: tarefas, provas objetivas e dissertativas, trabalho em grupo, relatórios de vídeos assistidos.
- peso:0 a 10 para cada atividade
- devolução do resultado: após o termino e correção de cada avaliação
- divulgação do resultado para os alunos e pais: nos htps ou reuniões ou mesmo quando convocados.
9. Proposta de recuperação contínua relativo às situações de Aprendizagem 1,2,3,4
- momento da recuperação contínua: sempre que o aluno não atingem o mínimo de aprendizado que se espera
- avaliação da recuperação: pesquisas e trabalhos referentes aos conteúdos não aprendidos.
- o aluno deve ser encaminhado para a recuperação paralela quando: não atingir o mínimo dos conteúdos aplicados.
......., ......de........................................de 2009
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Assinatura do professor
sábado, 17 de abril de 2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Primeiro Bimestre
Situação de Aprendizagem 1
A REGINALIZAÇÃO DO ESPAÇO MUNDIAL
PROJETO
Diferenciar critérios de regionalização é um passo importante para a compreensão do es¬paço mundial. Por ser diferenciado em função da variedade de elementos da natureza (clima, relevo, solo, vegetação etc.) e das sociedades (produção de riquezas, culturas etc.), o espa¬ço geográfico pode ser dividido e classificado de diferentes modos em regiões ou grupos de países levando em conta as diferenças e seme¬lhanças das diversas áreas conforme um crité¬rio específico. Esta Situação de Aprendizagem apenas introduz uma primeira aproximação com o tema regionalização, para aprofundá-lo nas demais.
Conteúdos: o espaço mundial pode ser dividido e classificado com o uso de vários critérios, portanto, visto sob perspectivas diferentes. Interpretá-lo depende da escolha de caminhos e modelos de análise adequados e que possam servir de orientação de acordo com o propósito que pretendemos atingir. Daí resulta o toco nesta Situação de Aprendizagem no tema regionalização, na qual são propostas estratégias didáticas que permitam aos alunos compreender ao menos duas noções fundamentais:
a) Regionalizar um determinado espaço geográfico significa dividir ou agrupar suas partes e regiões de acordo com características comuns.
b) Qualquer regionalização é apenas parcialmente verdadeira, pois quem agrupa ou reúne suas partes o faz de acordo com um interesse especifico.
As formas como sào consideradas as diferentes escalas geográficas é problematizada recorrendo-se à leitura, interpretação e comparação de mapas distintos, demonstrando-se como as opções de regio¬nalização do espaço mundial não devem ser vistas como certas ou erradas, mas de acordo com a sua intencionalidade, pois atendem a interesses específicos, assim como quanto à sua parcialidade, já que são produzidas para atender a determinados fins.
Competências e habilidades: estabelecer a diferenciação entre critérios de regionalização; desenvolver habilidades de leitura e produção de textos contínuos (narrativas, textos expositivos e descritivos) e des¬contínuos (leitura e interpretação de mapas); ler e interpretar mapas para extrair informações que lhes permitam identificar singularidades e distinções acerca da regionalização do espaço mundial; identificar dados, representações e informações encontradas em cartas e mapas para comparar as diferentes pers¬pectivas de compreensão do espaço mundial, geralmente complementares.
CONTEÚDO
Diferentes Critérios Para Dividir O Mundo Em Regiões
A Divisão por Continentes
Assim temos a Europa, Ásia, África, América do Norte, Central e do Sul e a Oceania.
Essa divisão por continentes segue um critério natural muito primário: grandes porções de terra e grandes porções de água, os Oceanos. Mas mesmo tendo como base à natureza, podemos dividir a Terra em outras maneiras. Uma delas, também bastante antiga, é a regionalização por faixas climáticas. De acordo com o Clima podemos determinar algumas regiões: Zonas Polares: Ártica e Antártica, Zonas Temperadas do Norte e Sul e Zona Intertropical.
O clima faz com que essas regiões sejam muito diferentes uma das outras; basta lembrar das florestas.
Além dos Continentes e do Clima uma outra forma de se regionalizar a Terra ainda tendo como base à natureza, é através dos ecossistemas. Nesse caso todos os fatores naturais são considerados: Clima, Fauna, Relevos, Solo, Flora, Geologia.
- as zonas climáticas do globo
- os biomas terrestres (formações vegetais)
- os conjuntos gelógicos (riquezas minerais)
- os conjuntos geomorfológicos (formas do relevo)
Agora vamos mudar o nosso olhar! Ao invés de destacar a natureza, vamos destacar a sociedade. Vamos pensar em critérios políticos e econômicos. Eles são hoje, os mais utilizados para dividir a terra em regiões. E o mais básico desse critério divide as nações do planeta levando-se em conta as condições econômicas e sociais.
Há algum tempo atrás podíamos dividir o mundo em três mundos diferentes: 1o, 2o e 3o mundos. No final dos anos 80 um desses três mundos praticamente desapareceu. Você sabe qual foi?
O Primeiro; b.O Segundo; c.O Terceiro;
o Primeiro Mundo era formado pelos países capitalistas ricos, desenvolvidos como os Estados Unidos, Japão e países da Europa Ocidental, por exemplo, Alemanha, França e Inglaterra.
O Segundo mundo pelos países socialistas liderados pela União Soviética;
O Terceiro pelos países pobres, subdesenvolvidos.
No final dos anos 80 a história deu uma importante guinada. As experiências socialistas praticamente desapareceram e com elas foi-se junto o 2º mundo. * "Começando nas Repúblicas Bálticas, Estônia, Letônia e Lituânia e depois se espalhando por todo o país, os nacionalismos outrora sufocados começaram a explodir. Diversas Repúblicas Soviéticas tornaram-se independentes. Temendo as conseqüências desse processo Gorbatchev cria a Comunidade dos Estados Independentes que substitua o regime centralizado de Moscou. Até hoje essa organização encontra-se indefinida e há muitos conflitos com a Rússia".
O mundo assistiu a desintegração, nem sempre pacífica, do Império. Mas não há muitos argumentos a favor do otimismo. A Comunidade dos Estados Independentes tomou o lugar da União Soviética.
Outra maneira de se regionalizar o mundo é a divisão em país Centrais e Periféricos. Centrais são os países Desenvolvidos que exercem influência sobre os países pobres ou Periféricos. Existem também países que são semi-periféricos, o Brasil é um exemplo desse tipo de país. Internacionalmente ele é Periférico, mas dentro do Cone Sul ele é Central, exportando seus produtos e serviços e com a mão-de-obra melhor qualificada que a de seus vizinhos.
Países Desenvolvidos:
As sociedades desses países são altamente consumistas isto é percebido sobretudo devido ao poder aquisitivo elevado da sociedade e a grande quantidade produtos com tecnologia avançada, que são lançados no mercado a cada ano. Se todas as nações do mundo passassem a consumir supérfluos com a mesma intensidade das nações desenvolvidas o mundo entraria em colapso, pois, não haveria matéria-prima suficiente para abastecer a todos os mercados.
A luta por melhores condições de vida da população é visível, principalmente no que diz respeito a uma melhor distribuição de renda, não existindo grandes disparidades entre uma classe social e outra. Para que isso fosse possível foi necessário a participação direta da sociedade, exigindo dos seus governantes uma postura voltada para os interesses da população.
Os governos passaram a cobrar mais impostos das classes sociais mais favorecidas em prol da sociedade. Os impostos cobrados são direcionados à construção de escolas, habitações, estradas, hospitais, programas de saúde, aposentadorias mais justas, etc., isto foi possível graças ao engajamento consciente de todos os cidadãos na formação do Estado Democrático.
A democracia existe de fato nas nações desenvolvidas, e consiste num Estado de direito que resulta de reivindicações permanentes por parte dos cidadãos. A democracia é um processo contínuo de invenção e reivindicações de novos direitos.
Países subdesenvolvidos:
Países que no passado foram colônias de exploração de países colonizadores e que devido ao fato de não receberem investimentos e atenção dos colonizadores, possuem hoje sérios problemas socioeconômicos:
Passaram por um grande processo de exploração durante o período colonial. Colônia de Exploração;
Baixo nível de industrialização, com exceção de alguns países como: Brasil, México, os Dragões de Exploração;
Dependência econômica, política e cultural em relação às nações desenvolvidas;
Deficiência tecnológica e baixo nível de conhecimento científico;
Rede de transporte e meios de comunicação deficientes;
Baixa produtividade na agricultura que geralmente emprega numerosa mão-de-obra;
População Ativa empregada principalmente nos setores primários ou no setor terciário em atividades marginais (camelôs, trabalhadores sem carteira assinada etc). Exemplo: Brasil, Etiópia, Uruguai;
Cidades com crescimento muito rápido e cercada por bairros pobres e miseráveis;
Baixo nível de vida da maioria da população;
Crescimento populacional elevado;
Elevada taxa de natalidade e mortalidade infantil;
Expectativa de vida baixa.
Existem países subdesenvolvidos que são fortemente industrializados como é o caso do Brasil, México, Argentina, Dragões Asiáticos, etc. A industrialização existente nesses países na verdade é sustentada por países desenvolvidos, que os utilizam para expandir seus parques industriais e garantir lucros vultuosos. Um exemplo nítido de expansão industrial é, o caso dos Dragões Asiáticos que evoluíram enormemente nas últimas décadas, principalmente no setor industrial através do capital e tecnologia japonesa.
Alguns fatores atraem esses investimentos estrangeiros para os países subdesenvolvidos, como:
Mão-de-obra barata e numerosa;
Muitas vezes são isentos de pagamento de impostos;
Doação de terrenos por parte do governo;
Remessa de lucro das transnacionais para a sede dessas empresas;
Legislação flexível.
Países Emergentes
Na nova ordem mundial, o conflito Leste-Oeste da guerra fria foi substituído pelo conflito Norte-Sul, que opõe entre si as grandes diferenças que separam a riqueza, a tecnologia e o alto nível de vida, da pobreza, da exclusão dos novos meios técnico-científicos e dos baixos níveis de vida.
Mundo Bipolar
Antes da Segunda Guerra, havia uma ordem mundial multipolar, ou seja, com base em vários pólos ou centros de poder que disputavam a hegemonia (supremacia) internacional: a Inglaterra, a França, a Alemanha, eram grandes concorrentes no continente europeu e também na colonização da África e da Ásia; os Estados Unidos, que já se tornara uma potência no continente americano, o Japão e a Rússia.
O final da Segunda Guerra trouxe um novo cenário: as potências européias estavam arrasadas; o Japão também saiu arrasado da guerra e perdeu as áreas que havia conquistado no Oriente (Coréia, Manchúria e parte da Sibéria, etc.). Duas novas potências mundiais - Estados Unidos e a União Soviética - passaram a dividir o mundo entre si. Foi a época da bipolaridade, da ordem mundial bipolar, baseadas em dois pólos ou centros de poder, que durou cerca de 45 anos, desde o final da Segunda Guerra Mundial até por volta de 1991.
Ò mundo bipolar foi marcado pela disputa entre o capitalismo e o socialismo. Cada grande super-potência liderava seu bloco de países: os Estados Unidos eram o líder econômico e político-militar do mundo capitalista, e a União Soviética, a guardiã e exemplo a ser seguido do antigo mundo socialista. Essa ordem mundial entrou em crise no final dos anos 80, devido a um maior crescimento de outros centros capitalistas (Japão e Europa Ocidental), que passaram a disputar a supremacia internacional com os Estados Unidos, e ao esgotamento do sistema socialista adotado pela União Soviética e demais países desse bloco.
A Divisão Norte-Sul
O fim da Guerra Fria, o declínio econômico relativo dos Estados Unidos e da União Soviética, a unificação econômica e política da Europa, o crescimento econômico do Japão, o surgimento dos tigres asiáticos e o rápido desenvolvimento das reformas chinesas liquidaram com a bipolaridade que opunha Estados Unidos e União Soviética. Embora os Estados Unidos se mantenham como uma superpotência militar, o mundo tende para uma multipolaridade econômica e política que pode evoluir também para uma multipolaridade militar.
Divisão Norte-Sul – Divisão simbólica para caracterizar as diferenças de riqueza e renda entre os países do chamado Primeiro Mundo, a maioria situada ao norte do equador, e os países pobres do Terceiro Mundo, a maior parte deles ao sul.
Com a crise do mundo socialista, aumenta a oposição entre o Norte industrializado e o Sul subdesenvolvido. Isso porque deixa de haver o conflito Leste-Oeste, ou seja, entre o socialismo real e o capitalismo. As duas potências tinham, nas últimas décadas, um poderio avassalador e quase nenhum conflito importante no plano mundial deixava de ter a participação direta ou indireta delas.
Uma guerra civil num país africano ou asiático, por exemplo, mesmo que tivesse uma razão étnica, sempre acabava sendo instrumentalizada (armada) pelas duas superpotências. Uma delas ajudava de um lado - oferecendo armamentos e auxílio financeiro - e a outra fazia o mesmo com o outro lado da disputa. Isso dava a impressão que um dos lados combatia pelo socialismo e que o outro defendia o capitalismo ou a democracia.
Com isso, a oposição entre o Norte rico e o Sul pobre nunca transparecia claramente, ou dominada pelo conflito entre Leste socialista e o Oeste capitalista. Com a crise do socialismo, a oposição Norte-Sul torna-se mais direta, mais visível.
Outro fato que reforça a oposição Norte-Sul é a volta dos países socialistas ao mundo capitalista. Esses países do Segundo Mundo não podiam, até o final dos anos 80, ser perfeitamente classificados nem ao Norte (desenvolvidos), nem ao Sul (subdesenvolvidos), pois não possuiam empresas particulares e muito mentos firmas estrangeiras em seus territórios, tinham um comércio externo relativamente pequeno e uma distribuição social da renda mais ou menos equilibrada, sem os violentos contrastes que existem nos países subdesenvolvidos (onde as camadas mais ricas concentram grande parte da renda nacional e as camadas mais pobres da população ficam com uma parcela mínima dessa renda).
Hoje esses países tem novamente empresas privadas e filiais de firmas estrangeiras, abrem-se cada vez mais para o comércio mundial e as diferenças salariais e de rendimentos, em geral, vem se ampliando. Dessa forma eles já podem em grande parte ser classificados como Norte desenvolvidos (caso das economias mais industrializadas) ou Sul subdesenvolvido(caso da maioria dos países que adotaram a economias planificadas.
De forma resumida podemos dizer que isso se deve ao seguinte: enquanto as economias mais avançadas do Norte industrializado estão atravessando a chamada revolução técnico-científica, com substituição de força de trabalho desqualificada por máquinas (especialmente robôs), com a expansão da informática, etc., os países mais pobres do Sul só têm duas coisas a oferecer - matéria-prima e mão-de-obra -, e esses dois elementos perdem valor a cada dia. Em grande parte já terminou a época da mão-de-obra desqualificada e a importância dos minérios e gêneros agrícolas em geral. Somente os países com uma força de trabalho qualificada (resultado de um ótimo sistema educacional) e tecnologia avançada é que possuem condições ideais para o desenvolvimento.
Todos os países do Sul ou do Terceiro Mundo são economicamente dependentes dos países desenvolvidos. Tais dependências manifestam-se de três maneiras:
Endividamento externo. Normalmente todos os países subdesenvolvidos possuem vultuosas dívidas para com grande empresas financeiras internacionais, localizadas nos países desenvolvidos.
Relações comerciais desfavoráveis. Geralmente os países subdesenvolvidos exportam para as nações ricas produtos primários (não industrializados), como gêneros agrícolas (café, açúcar, algodão, etc.) e minérios de ferro, cobre, manganês, etc. As importações, por sua vez, consistem basicamente em artigos manufaturados (industrializados), material bélico e produto de tecnologia avançada (aviões, computadores, máquinas automatizadas, etc.). Tais relações mostram-se desvantajosas para o Terceiro Mundo, pois os artigos importados têm os preços bem mais altos que os exportados.
Forte influência de empresas estrangeiras. Nos países subdesenvolvidos, boa parte das principais empresas industriais, comerciais, mineradoras e até agrícolas é de propriedade estrangeira, possuindo matriz nos países desenvolvidos (multinacionais). Uma grande parcela do lucro dessas empresas é remetida para as matrizes, o que provoca acentuada descapitalização nos países do Terceiro Mundo.
Grandes Desigualdades Sociais
Em todos os países subdesenvolvidos, a diferença entre ricos e pobres é muito acentuada, bem maior que nos países desenvolvidos ou do Norte. Dessa forma a população de baixa renda acaba tendo sérios problemas de subnutrição, falta de moradia, inadequado atendimento médico-hospitalar, insuficiência de escolas, etc.
O mundo multipolar
Com o fim da bipolaridade, os Estados Unidos viram-se transformados na potência "vencedora" da guerra fria e assumiram o papel da grande potência mundial. Entretanto, apesar do indiscutível poderio americano, Japão e Alemanha (hoje reunificada e integrando a União Européia) também apareciam como pólos da economia mundial, que se tornou, então, multipolar.
Essa nova situação, que o presidente norte-americano George Bush chamou de nova ordem mundial na Conferência de Malta, em 1989, na verdade não trouxe muita coisa de novo. O que deixava de existir era a velha ordem bipolar e a rivalidade entre sistemas econômicos opostos que buscavam competir usando a capacidade militar.
Com a volta do mundo (com raras exceções) ao capitalismo, que prioriza o lucro e a propriedade privada, a economia mundial passou a funcionar segundo a lógica desse sistema.
A multipolaridade, isto é, o aparecimento de novos pólos econômicos, nada mudou na distribuição da riqueza no mundo. Os países ricos continuam ricos. E os pobres (ex-Terceiro Mundo) continuam pobres. Sem inimigo a ser vencido, a corrida armamentista perdeu força. A busca de novas estratégias para ganhar mercados passou a ter prioridade na ordenação econômica do mundo.
Porém devemos admitir que mudanças fundamentais ocorreram nessa fase do capitalismo financeiro, que passou a ser chamada de.globalização. Na globalização, há um crescente aumento dos fluxos de informações, mercadorias, capital, serviços e de pessoas, em escala global. São as redes, que podem ser materiais (transportes) ou virtuais (Internet). A integração de economias, culturas, línguas, produção e consumo, através das informações, transformaram o mundo em uma aldeia global.
Ess nova ordem costuma ser definida como multipolar. Isto quer dizer que existem vários pólos ou centros de poder no plano mundial. Normalmente consideram-se três grandes potências de poderio econômico, tecnológico e político-diplomático: os Estados Unidos, o Japão e a União Européia (Europa Ocidental). Existe ainda a possibilidade do fortalecimento de dois outros pólos, a Rússia e a China, bem menos importantes que aqueles três.
Na nova ordem, não há mais uma única oposição Leste-Oeste, ou socialismo-capitalismo.
No lugar de um mundo simples, temos uma realidade mais complexa, com multiplas oposições ou tensões, de diversas natureza, diferença entre países ricos e pobres, entre povos cristãos ou hinduístas e povos islâmicos, entre os interesses mercantis que degradam o meio ambiente e a consciência de que devemos preservar a natureza, etc.
Divisão Internacional Do Trabalho
Geograficamente falando essa distribuição de tarefas é de muita importância, pois é isso que em grande parte nos explica muitas das nossas paisagens que até hoje podemos observar nas chamadas áreas subdesenvolvidas” do globo.
À África e a América latina, por exemplo, foram impostas funções como as de fornecimento de mão-de-obra escrava e matérias primas, tais funções se traduziram nesses locais em paisagens bastante diferentes daquela que observamos nos países da Europa.
Neste sentido os europeus desenvolveram um intenso processo de colonização, marcados pela desorganização nas formas de produzir, circular e pensar dos povos nativos das áreas colonizadas, onde ação genócida e etnocida, além da desterritorialização foi pontos importantes no sentido de consolidar o poder do colonizador e abrir caminho para reorganizar o espaço dessas áreas com a perspectiva de atender o desejo de acumulação de riquezas da burguesia européia.
No entanto, o sistema capitalista só iria se consolidar definitivamente no século XVIII, cuja a intensa transformação do processo produtivo ficou conhecida historicamente como Revolução industrial dividindo-a em três etapas: Primeira a Segunda e a Terceira Revolução Industrial.
Nesse período a divisão internacional do trabalho (DIT) iria sofre modificações devido o surgimento de um novo modelo de produção, já que não era mais suficiente aquele modelo em que o trabalhador se agrupava em vilas de aldeões para que a partir das oficinas de ofício desenvolvesse o seu trabalho. Por advento da revolução industrial esse sistema foi sendo deixado de lado, pois era bem mais lucrativo para os capitalistas produzirem em fábricas do que ficar dependente dos artesões. Por este motivo iniciou-se uma nova fase na DIT (divisão internacional do trabalho) que vai da revolução industrial até a segunda guerra mundial.
Nesse momento o mudo está dividido em países que se especializaram em fornecer matérias primas e países que se especializaram em fornecer produtos industrializados. É interessante perceber todos os países que se especializaram no fornecimento de matérias primas sofreram um fenômeno conhecido como descapitalização, e o seu futuro ficou fadado ao subdesenvolvimento, como exemplo podemos citar: BRASIL, ARGENTINA e o restante da AMÉRICA LATINA.
Por outro lado todos aqueles países que se especializaram em produzir produtos de valor, isto é, produtos manufaturados ou industrializados tornaram-se países desenvolvidos e lideres do sistema capitalista.
A fase de desenvolvimento do capitalismo após a segunda guerra mundial ficou conhecida com capitalismo financeiro, e novamente acarretou varias modificações na divisão internacional do trabalho (DIT). Foi nessa época que os países desenvolvidos trataram de consolidar a dependências dos países subdesenvolvidos principalmente através de empréstimos, financiados pelos países detentores de capital, a partir deste momento vários países passaram a desenvolver indústrias dentro do seu território como foi o caso do Brasil Argentina e países do sudeste asiático.
Outro fato a ser destacado é a mudança ocorrida no mundo do trabalho, já que o modelo de produção estava sendo substituído, pois o fordismo já não mais dava conta da demanda e não atendia mais as exigências do mercado internacional. O Japão foi um dos países pioneiro na passagem do fordismo para a fase pós-fordismo, para acumulação flexível.
Blocos econômicos
A formação de blocos econômicos é uma regionalização dentro do espaço mundial, mas também uma forma de aumentar as relações em escala global, pois, ao participar de um bloco, um país tem acesso a vários mercados consumidores, dentro e fora do seu bloco.
Os principais blocos regionais são: União Européia, Mercosul, Nafta e Apec,.
A Regionalização
Surge em decorrência do avanço do sistema capitalista, que no final do século XX apresenta-se em um estagio nunca antes visto. Este estágio de desenvolvimento capitalista provocou uma mudança estrutural no comércio mundial, e para acompanhar, tais mudanças, os estadosnações tiveram que se adequar à nova forma de interação existente no mercado mundial.
Aparece um novo paradigma de produção, consumo e comercialização. Isso fez com que os países passassem a se organizar em blocos econômicos de poder, para que a partir de então conseguissem ingressar com sucesso na nova configuração econômica mundial.
A globalização de idéias
Esse processo de integração mundial, chamado globalização, não é só económico. Ele tem ao mesmo tempo uma dimensão política, social e cultural.
Para se estabelecer mundialmente, a grande empresa precisa da globalização cultural. O lazer, as formas de se vestir, as revistas, os jornais, as formas de consumo precisam ser parecidas em qualquer lugar do mundo.
O rádio e a televisão têm um papel importante na formação dessa cultura, pois, ao mesmo tempo que divulgam músicas, filmes e informações, sugerem um padrão de vida e de consumo que deve ser seguido para alcançar a felicidade.
Daí a importância de preservar e valorizar as culturas e identidades próprias de cada país, ameaçadas de desaparecer, como as fronteiras do capital e do comércio mundial.
A globalização do crime
As atividades do crime organizado também se beneficiam das facilidades tecnológicas das comunicações do mundo globalizado.
O tráfico de drogas, de mulheres e crianças, as "máfias" de várias nacionalidades {chinesa, japonesa, coreana), além da original italiana, encontram mais facilidades para expandir suas ações criminosas. O terrorismo espalha mais rapidamente suas células de ação pelo mundo graças a essas facilidades.
A ordem mundial pós- 11 de setembro
O dia 11 de setembro impôs final súbito à era pós-Guerra Fria que havia começado quase exatamente 12 anos antes. Aquele período originou-se da queda dramática do Muro de Berlim na noite de 9 de novembro de 1989, acompanhada em rápida sucessão pelo colapso do comunismo na Europa Oriental, pelo final da Guerra Fria e, em dezembro de 1991, pela dissolução da União Soviética. Pela primeira vez em mais de meio século, os Estados Unidos pareciam não mais enfrentar uma grande ameaça isolada à sua segurança nacional e ao seu modo de vida. No final da década de 1930 e na Segunda Guerra Mundial, essa ameaça veio do fascismo. Durante a Guerra Fria, era a União Soviética e o comunismo soviético. Nos dois casos, o perigo era expressivo e sem ambigüidades. Como resultado, nos Estados Unidos e entre seus aliados, havia amplo consenso sobre a existência de uma importante
O dia 11 de setembro marcou o início de uma nova era no pensamento estratégico norte-americano. Os ataques terroristas daquela manhã tiveram impacto comparável ao ataque a Pearl Harbor em sete de dezembro de 1941, que lançou os Estados Unidos para a Segunda Guerra Mundial. Antes de 11 de setembro, o governo Bush encontrava-se na fase de desenvolvimento de uma nova estratégia de segurança nacional. Isso estava sendo feito com a Análise Quadrienal da Defesa, bem como em outros cenários. Em um momento, entretanto, os ataques de 11 de setembro transformaram o ambiente de segurança internacional. Uma ameaça totalmente nova e perniciosa subitamente tornou-se realidade e ditou uma nova e importante estratégia para os Estados Unidos. Esta nova política, agora cognominada "Doutrina Bush", concentra-se na
ameaça do terrorismo e das armas de destruição em massa.
Situação de aprendizagem 2
AS REGIÕES DA ONU
Conteúdos: esta Situação de Aprendizagem trabalha regionalizações do espaço mundial divulgadas lar¬gamente pela mídia, procedentes de critérios utilizados pelo Banco Mundial e pelo Programa das Nações o Desenvolvimento (PNUD). Trata-se, portanto, de sugerir estratégias para a compreensão das principais formas de divisão e agrupamento dos países do mundo com base na mensuração ou indicação do nível de desenvolvimento ou, em outras palavras, destinadas a retratar e analisar a difusão da pobreza. Isso é realizado via procedimentos didáticos complementares, definindo-se conceitos básicos (PIB, renda per capita e proporcionando a leitura e interpretação de gráficos, bem como a decodificação da relação significante/significado presente nos signos cartográficos dos mapas, além do estímulo à leitura associada e comparativa de mapas e gráficos.
Competências e habilidades: relacionar diferentes linguagens, como a cinematográfica e a cartográfica, para extrair informações e elaborar texto sobre a realidade mundial; compreender os principais critérios de regionalização do espaço mundial adotados pelo Banco Mundial e PNUD; diferenciar os conceitos de PNB per capita e PIR per capita, aplicando-os na leitura e interpretação de mapas; conceituar IDH por meio do entendimento dos critérios considerados para a elaboração desse índice; ler e interpre¬tar mapa e gráfico sobre o IDH dos países do mundo.
Estratégia: leitura e interpretação de mapas; aulas expositivas sobre os conceitos fundamentais, com auxílio dos mapas selecionados; leitura, interpretação e comparação entre diferentes registros (mapas e gráficos).
Recursos: mapas; gráficos; lousa; vídeo.
Avaliação: dos textos solicitados no final das etapas e participação geral nas discussões.
CONTEÚDO:
FMI Fundo Monetário Internacional.
Criado em 1944, o FMI tem como missão fundamental reduzir o desequilíbrio das balanças de pagamentos dos países-membros mediante a concessão de créditos procedentes de seus próprios recursos e a estabilização do câmbio. A adesão ao FMI implica a aceitação de uma carta monetária internacional que impõe aos estados-membros obrigações relativas à estabilidade e à conversibilidade monetária.
Banco Mundial.
O Banco Mundial foi criado em 1944, na conferência de Bretton Woods, da mesma forma que o FMI. Tem entre seus objetivos conceder créditos a países subdesenvolvidos para o financiamento de projetos e facilitar-lhes ajuda técnica. Integram o Banco Mundial ou Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD); a Corporação Financeira Internacional (CFI), criada em 1956 para complementar a ação do BIRD, especialmente na criação e expansão de empresas privadas; e a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), constituída em 1960 para a concessão de empréstimos em melhores condições que as oferecidas pelo BIRD.
Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT).
Conhecido universalmente pelas iniciais de sua denominação inglesa (General Agreement on Tariffs and Trade), o GATT foi criado em Genebra, em outubro de 1947. Seus objetivos fundamentais são o fomento dos acordos de redução tarifária, a supressão de barreiras aos intercâmbios comerciais e a eliminação de discriminações nesse campo. O GATT consolidou-se como organização que rege o comércio mundial.
Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento.
A United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) foi criada em 1964, para levar as reivindicações dos países subdesenvolvidos aos países industrializados.
Organização de Alimentação e Agricultura.
Conhecida também por sua sigla em inglês, a Food and Agriculture Organization (FAO) foi fundada em Québec, Canadá, em 1945, e tem sede em Roma. Seu objetivo principal é o incremento da produtividade mundial dos setores agrícola, florestal e pesqueiro.
Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Estabelecida em 1919, a OIT passou a fazer parte das Nações Unidas em 1946. Encontram-se entre seus objetivos a promoção do pleno emprego, a melhoria dos níveis de vida, o estabelecimento de políticas que incentivem uma divisão equitativa da renda, o reconhecimento do direito à negociação coletiva e, em geral, o trabalho em favor da justiça social.
Organização para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Fundada em 1946, a UNESCO tem por finalidade aprofundar a relação entre todos os povos do mundo por meio da educação, da ciência e da cultura. Tem sede em Paris e promove freqüentes campanhas de esclarecimento da opinião pública. Assumiu a defesa de muitos dos grandes temas do século XX, como a universalização das oportunidades educacionais, a democratização das artes, os direitos da mulher e de todas as minorias discriminadas.
Organização Mundial de Saúde (OMS).
A OMS foi criada em 1946 e tem sede em Genebra. Colabora com os organismos encarregados das questões sanitárias de todos os países, particularmente os subdesenvolvidos. Empenha-se em obras de socorro e assistência direta a comunidades atingidas por todo tipo de catástrofe natural, guerra civil, epidemias etc.
A estrutura geral de todos os organismos especializados é semelhante. Cada um deles tem uma conferência geral em que todos os membros estão representados. Essa conferência elege um conselho executivo, que se encarrega de propor iniciativas e de cumprir as decisões da conferência geral. Cada organismo tem uma secretaria permanente, com um diretor. Muitos organismos têm subcomissões regionais que operam em diferentes partes do mundo.
Direito internacional.
Em novembro de 1947, a Assembléia Geral estabeleceu a Comissão de Direito Internacional com vistas a codificar progressivamente as leis que regem as relações internacionais, inclusive questões pertinentes ao direito dos tratados e ao direito marítimo. Ocupa-se também de estudos sobre os procedimentos judiciais, sobre a jurisdição internacional no que concerne ao direito penal e sobre o conceito, a definição e as especificações da agressão entre os estados.
Indicadores econômicos e sociais
Variáveis quantitativas que permitem a comparação de aspectos sociais e econômicos de determinadas áreas, por exemplo, países ou estados. O indicador econômico reflete o estado de uma economia durante um determinado período. Como exemplo, podem ser citados o Produto Interno Bruto (PIB), a renda per capita e a inflação. Já o indicador social quantifica a qualidade de vida e o desenvolvimento social de uma população. Entre os mais conhecidos estão a mortalidade infantil, o analfabetismo e a taxa de desemprego.
Como se trata de uma média, um indicador sozinho não reflete a realidade de uma região. Por exemplo, se um país apresenta uma alta renda per capita, sua população não necessariamente vive bem, pois essa renda pode estar mal-distribuída. Somente a comparação de vários indicadores é que fornecerão um quadro mais próximo da realidade da área analisada.
O levantamento de dados estatísticos socioeconômicos é feito, em geral, por órgãos dos governos nacionais, estaduais ou municipais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil. Instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial e os vários órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU) - como a Unesco, FAO e OMS - são as principais fontes de indicadores comparativos em nível mundial.
Expectativa de vida - Estimativa do tempo de vida que a criança, ao nascer, terá. Nos países mais desenvolvidos, os homens vivem em média, 71,2 anos e as mulheres, 78,6 anos. Nos menos desenvolvidos, as médias de idade caem para 62,4 e 65,3, respectivamente.
Exportações e importações - Valor monetário de todos os bens e serviços que um país vende ou compra do resto do mundo. Quanto maior o valor dessa participação, maior é a dependência do país em relação à economia internacional.
Fecundidade - Estimativa anual do número de filhos que cada mulher teria durante seu período reprodutivo. Considera os filhos nascidos vivos e as mulheres entre 15 e 49 anos. A média nos países mais desenvolvidos é de 1,71 filhos por mulher e, nos menos desenvolvidos, 3,29.
Força de trabalho - Total da população economicamente ativa, ou seja, as pessoas que geram riquezas para o país. Inclui, além dos trabalhadores, as Forças Armadas e os desempregados. Exclui os trabalhadores domésticos, os voluntários não-remunerados e os empregados no setor informal.
Índice de desenvolvimento humano (IDH) - Desenvolvimento da população de um país em três aspectos: vida longa e saudável, conhecimento e padrão de vida decente. Os indicadores que representam essas condições são: expectativa de vida, grau de escolaridade e renda per capita da população. O IDH é uma média simples desses três indicadores, variando em uma escala de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor é a qualidade de vida. Quanto mais próximo de 0, pior ela é.
Índice de Pobreza Humana (IPH) - Indica a privação da população de um país em três elementos essenciais: longevidade, conhecimento e padrão de vida adequado. O primeiro elemento é dado pela porcentagem de pessoas que não esperam sobreviver aos 40 anos, e o segundo, pela porcentagem de adultos analfabetos. O terceiro elemento é formado por três variáveis: o total de pessoas sem acesso à água potável, o número de adultos sem acesso aos serviços de saúde e o total de crianças com menos de cinco anos subnutridas. O IPH é dado a partir de uma média simples desses três elementos. Quanto maior a porcentagem obtida, maior a pobreza do país.
Mortalidade infantil - Número de crianças que morrem no primeiro ano de vida entre mil nascidas vivas em um determinado período. A média nos países mais desenvolvidos é de nove mortes por mil nascidos vivos e, nos menos desenvolvidos, 63.
Oferta diária de calorias -Mede o equivalente, em calorias, da oferta líquida de alimentos de um país, dividido pelo número de habitantes, por dia.
Paridade de poder de compra (PPP) -A quantidade de moeda do país que é necessária para comprar o mesmo que um dólar americano (moeda de referência) pode comprar nos Estados Unidos.
Participação no PIB - Indica o porcentual com que cada estado contribui para o PIB do Brasil.
PIB - Representa o produto interno bruto da economia de um país. É a soma do valor monetário final de bens e serviços produzidos dentro do país. Mede sua capacidade produtiva: quanto mais alto o PIB, mais rico ele é.
PNB
Compreende o PIB mais o rendimento líquido do exterior. Esses rendimentos são pagamentos que os residentes do país recebem do exterior, e que contribuem para a economia interna.
População com 1º grau -Porcentagem da população que completou ou está cursando o 1º grau (ensino básico).
PNUD
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (ou PNUD) é o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem por mandato promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo. Entre outras atividades, o PNUD produz relatórios e estudos sobre o desenvolvimento humano sustentável e as condições de vida das populações, bem como executa projetos que contribuam para melhorar essas condições de vida, nos 166 países onde possui representação. É conhecido por elaborar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), bem como por ser o organismo internacional que coordena o trabalho das demais agências, fundos e programas das Nações Unidas - conjuntamente conhecidas como Sistema ONU - nos países onde está presente.
Além disso, o PNUD dissemina as metas de desenvolvimento do milênio, conjunto de 8 objectivos, 18 metas e 48 indicadores para o desenvolvimento do mundo, a serem cumpridos até 2015, definidas pelos países membros da ONU em 2000, e monitora o progresso dos países rumo ao seu alcance.
AID - Associação Internacional de Desenvolvimento
Criada em 24 de setembro de 1960, a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) é o organismo do Banco Mundial que fornece empréstimos sem juros e subsídios aos países mais pobres. Suas intervenções visam a apoiar o crescimento econômico, reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida das populações.
Os empréstimos da AID são de longo prazo e sem juros. Servem para financiar programas que reforçam as políticas, as instituições, as infra-estruturas e o capital humano para que os países possam se desenvolver de maneira equitativa e ecologicamente sustentável. Os subsídios da AID são destinados aos países pobres vulneráveis ao endividamento excessivo ou com surtos de HIV/Aids ou atingidos por catástrofes naturais.
Quem pode ser beneficiado
Três fatores determinam a possibilidade de um país ser um receptor de recursos da AID:
A PNB per capita do país deve ser de menos de 965 dólares americanos por ano.
A falta de solvência do país, o que impede o país de adquirir empréstimos com as taxas praticadas pelo mercado, o que torna imprescindível a obtenção de recursos para financiar seu desenvolvimento.
Um bom desempenho em matéria de adoção de políticas, ou seja, a colocação em prática de obras políticas, econômicas e sociais que incentivem o crescimento econômico e reduzam a pobreza.
Os países que podem receber recursos da AID porque possuem baixo PNB per capita, tais como Indonésia e Índia, mas possuem crédito internacional para captarem empréstimos do mercado, são chamados de países com financiamento misto.
Situação de aprendizagem 3
O COFLITO NORTE E SUL
PROJETO:
Esta Situação de Aprendizagem resga¬ta e aprofunda o tema da regionalização do espaço mundial. Em particular propõe e dis¬cute a divisão entre países do "Norte" (ricos, desenvolvidos) e países do "Sul" (pobres, em desenvolvimento), buscàndo demonstrar seu significado político e econômico.
Conteúdos: conceito de regionalização; características da regionalização Norte e Sul; análise e diferen¬ciação dos conceitos de desenvolvimento e subdesenvolvimento; diferenças de desenvolvimento econô¬mico entre nações; estudos de caso representativos das relações entre graus diferenciados de desenvolvi¬mento econômico e emissão de gases de efeito estufa.
Competências e habilidades: ler e interpretar mapa sobre as emissões de CO2 no mundo; comparar mapas para formular hipóteses; ler e interpretar mapa sobre migrações internacionais; produzir textos sobre as migrações internacionais refletindo sobre a situação dos imigrantes na Europa.
Estratégias: leitura e interpretação de mapas; aulas expositivas; quadro conceitual; grupos de investiga¬ção; pesquisa e leitura de artigos de jornais; redação.
Recursos: mapa; gráficos; textos jornaJisticos; lousa.
Avaliação: participação individual nas discussões e em grupos de investigação; elaboração e entrega dos trabalhos solicitados.
CONTEÚDO
Emissão de CO2 no mundo cai; líderes discutirão pacto
A recessão deve causar a mais profunda queda nas emissões de gases do efeito estufa em 40 anos, segundo uma estimativa divulgada nesta segunda feira, enquanto líderes mundiais seguem rumo a Nova York para tentar romper o impasse sobre a formatação de um novo pacto climático global.
As emissões em todo o mundo de dióxido de carbono, principal gás resultante da ação humana causador do efeito estufa, vão cair cerca de 2,6% em 2009, como resultado da queda da atividade industrial em todo o mundo, informou nesta segunda-feira a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).
O mundo tem de aproveitar essa queda para conduzir uma luta global contra as mudanças climáticas em vez de permitir que as emissões cresçam novamente, como aconteceu em recessões anteriores, disse Fatih Birol, economista-chefe do IEA, em entrevista à Reuters.
"Esta queda nas emissões e em investimentos em combustíveis fósseis somente terá significado com um acordo em Copenhague, que envie um sinal para investidores na direção do baixo teor de carbono," disse ele, referindo-se à cúpula da ONU em dezembro na capita da Dinamarca.
As negociações estão estancadas na questão da divisão entre países ricos e pobres do quanto de emissões cada parte terá de reduzir até 2020 e, também, em como arrecadar talvez 100 bilhões de dólares por ano para ajudar as nações pobres a combaterem o aquecimento e se adaptarem às consequências das mudanças climáticas, como a elevação das marés e a desertificação.
Alguns especialistas expressaram dúvidas de que a recessão e a queda da produção industriam possam levar a um desenvolvimento mais sustentável.
As emissões de carbono dos EUA vão diminuir 6% este ano, informou a IEA duas semanas atrás, e as da Europa vão cair entre 4 e 5%, disse à Reuters o analista Mark Lewis, da Deutsche.
Em contrapartida, as emissões de carbono e a produção industrial estão crescendo nos países em desenvolvimento, especialmente no maior emissor mundial de carbono, a China, mas o total do planeta vai se reduzir de modo geral, de acordo com a IEA.
China e EUA
A China e os EUA, principais emissores, responsáveis por mais de 40 por cento do total mundial.
O presidente chinês, Hu Jintao, deve apresentar na cúpula planos para o enfrentamento do aquecimento global. A especulação é de que ele definirá metas para contenção da "intensidade do carbono" .
Migração E Xenofobia
No final do século XIX e começo do século XX, muitos imigrantes italianos vieram para o Brasil, também em busca de uma vida melhor. Essa situação mudou. Agora é a Itália que recebe imigrantes de outras partes do mundo.
Os movimentos populacionais da globalização mudaram de direção: realizam-se de países subdesenvolvidos para países desenvolvidos. A grande distância econômica que separa os dois grupos de países fez surgir esse novo tipo de migração internacional.
Além disso, os conflitos étnicos, religiosos e políticos da última década deslocaram compulsoriamente milhares de pessoas de sua pátria.
Podemos distinguir, entre os movimentos migratórios, duas categorias principais: as migrações por motivos econômicos e as migrações por motivos políticos, que compreendem os refugiados e os perseguidos políticos.
Migrações por motivos econômicos
Os Estados Unidos e os países da União Européia são os "paraísos" mais procurados pêlos imigrantes da globalização. Para a União Européia convergem populações da Europa oriental, do Norte da África e, principalmente, da Ásia, sendo a Turquia a maior fornecedora de imigrantes para a Europa ocidental.
Como esses países possuem severas leis que regulamentam a imigração, suas fronteiras são fortemente vigiadas e, muitas vezes, acontecem confrontos entre policiais e imigrantes ilegais. Duas importantes fronteiras geopolíticas destacam-se no mundo atual: a fronteira México - Estados Unidos e as cidades espanholas de Ceuta e Melilla, na costa do Marrocos.
A fronteira entre México e EUA é um constante foco de tensão entre os dois países, em virtude do grande número de pessoas procedentes de vários países latino-americanos que procuram entrar nos Estados Unidos clandestinamente.
Os Estados Unidos construíram uma cerca severamente monitorada por policiais na fronteira com o México. Os 3 200 km de fronteira sempre foram um foco de tensão entre os dois países. A Espanha já cogitou fazer algo semelhante em Ceuta.
O movimento de população já foi mais intenso entre os países da União Européia. Entretanto os benefícios concedidos a países membros de economia mais fraca têm ajudado a diminuir os movimentos no interior dessa comunidade.
Hispânicos Nos Eua
Em 1990, os Estados Unidos tinham 148.709.873 habitantes, dós quais 9% eram hispânicos. Hoje, o percentual é de 12,5%.
O aumento expressivo da população hispânica dos Estados Unidos, nos últimos anos, não significa essa contingente esteja integrado na sociedade americana. Uma prova disso é que não são considerados brancos no censo demográfico, Os "não-brancos" de origem hispânica, ou melhor, da América Latina, vivem segregados, formando "colônias", conforme as nacionalidades, nas maiores cidades do país. Mexicanos, cubanos, colombianos, porto-riquenhos e outros nativos de vários países da América Central são todos hispânicos para o censo americano.
Entretanto, cada um tem seu perfil definido pela polícia americana: os colombianos são acusados dê tráfico de drogas e quase todos os outros, juntamente com os negros, são tidos como suspeitos de crimes.
Problemas da imigração
Os imigrantes que conseguem entrar nos países mais ricos enfrentam inúmeros problemas. Geralmente em condições ilegais, fazem trabalhos que os habitantes locais não se dignam a fazer.
A imigração ilegal ocasiona outro grave problema: o tráfico de imigrantes. Esse é um negócio lucrativo e que está crescendo cada vez mais. A prática é comum em países da América Latina, inclusive no Brasil. No entanto é mais ativa no Leste europeu e no Norte da África, onde há um grande número de pessoas que pretendem ingressar na União Européia.
O imigrante enfrenta, ainda, a intolerância, o racismo e a discriminação.
A xenofobia e a intolerância
O ódio ao estrangeiro, ou xenofobia, e o racismo crescem rapidamente no mundo globalizado. A concorrência no mercado de trabalho tem sido a principal causa da discriminação de imigrantes nos países ricos. Mas não é a única.
Grupos extremistas unem a xenofobia à intolerância contra as minorias (negros e homossexuais) e praticam atos de extrema violência. É o caso dos skinheads, organização neonazista que age sobretudo na Alemanha.
Fuga de cérebros
Os países desenvolvidos disputam os melhores cientistas e pesquisadores para suas áreas de tecnologia de ponta. O Brasil, embora subdesenvolvido, conta :om bons profissionais e instituições para o desenvolvimento de novas tecnologias, na área da agricultura, da saúde, da informática, etc. Outros países, como índia, Argentina e Chile, estão na mesma situação.
Muitos desses profissionais são cobiçados por países ricos e tentados por ofertas compensadoras de salário. Outros buscam apenas um maior aperfeiçoamento para, mais tarde, retornar ao seu país de origem.
As baixas taxas de natalidade e as aposentadorias tornam os países da União Européia os maiores candidatos a precisar importar "cérebros", nos próximos anos. O Brasil conta com um conceituado número de cientistas e pode sofrer baixas em suas equipes de pesquisas.
Alguns países da União Européia (Alemanha, França e Reino Unido) têm adaptado suas legislações imigratórias, que ficam mais flexíveis para receber "cérebros" de países subdesenvolvidos, principalmente da índia, da Colômbia, da Argentina e do Brasil.
Migrações por motivos políticos e religiosos
Como vimos, além da procura por trabalho, conflitos étnicos e religiosos também são motivo de mudança de populações.
Refugiados
Atualmente, grande parte dos imigrantes pertence a um grupo especial: são os refugiados - pessoas que fogem de guerras ou de perseguições em sua pátria.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR, em português, e UNHCR, em inglês) define como refugiados "pessoas que saem de seu país de origem (podendo ou não regressar) porque correm o risco de ser mortas por perseguições religiosas, políticas e raciais". O Alto Comissariado foi criado em 1951 para tentar solucionar essa situação, que é uma das grandes tragédias da atualidade. O ACNUR calcula que, em cada 280 pessoas no mundo, uma seja refugiada.
O Alto Comissariado realiza as seguintes tarefas:
- Providencia asilo a refugiados que não querem voltar ao seu país de origem.
- Ajuda os refugiados que preferem retornar ao seu país, depois que a situação se acalma.
- Consegue recolocação para refugiados que não podem regressar ao seu país de origem.
- Presta auxílio a pessoas que sofrem perseguições em seu próprio país, mas não podem fugir (IDPs, sigla do inglês Internally Displaced Persons Instruments).
Os IDPs
São pessoas que sofrem perseguições dentro do seu próprio país, sem poder contar com a proteção do governo. São o grupo de imigrantes que mais cresce no mundo, Esses casos são comuns na Bósnia - Herzegovina, no Sri Lanka, no Azerbaijão, em Serra Leoa, na Rússia e no Afeganistão. Nesse país, o movimento de refugiados aumentou consideravelmente após os ataques dos Estados Unidos, em resposta ao atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova York.
Movimento de populações nos continentes
África, Refugiados das guerras civis procuram áreas mais estáveis e menos pobres. Nigéria e Camarões têm sido muito procurados.
Ásia. Japão, Israel, países produtores de petróleo e tigres asiáticos são os que recebem mais imigrantes do continente. No exterior, os três destinos preferidos dos asiáticos são:
- Austrália (23,6%), Canadá (31,4%) e Estados Unidos (25,2%).
- Europa. O Eldorado do continente é a União Européia (Europa ocidental), que recebe imigrantes da Ásia, África, América e de outras partes da Europa. A Albânia, o país mais pobre do continente, já teve sérios problemas com a Itália por causa de imigração ilegal.
- América do Norte. Recebe, principalmente, imigrantes da América Latina e da Ásia.
Situaçãod e Aprendizagem 4
GLOBALIZAÇÃO E REGIONALIZAÇÃO ECONÔMICA
PROJETO
Esta etapa é dedicada a levar os alunos a organizar as informações que possuem sobre o tema globalização e regionalização. Assim, propomos estratégias visando a possibilitar um primeiro momento de aproximação com esse tema, cujo aprofundamento somente será oportuno nas demais Etapas desta Situação de Aprendizagem.
Conteúdos: conceitos de bipolarização e multi polarização; o mundo bipolar e multipolar; a cartografia da Guerra Fria; blocos econômicos mundiais; megablocos regionais (Nafta, União Europeia, Bacia do Pacífico e Apec), globalização e fragmentação, conflitos geopolíticos e étnico-culturais regionais.
Competências e habilidades: leitura, interpretação e produção de textos (narrativas, textos de pesquisa, textos técnicos) e descontínuos (mapas, fotos, filmes); leitura e análise de textos argumentativos dis¬tinguindo pontos de vista diferentes; extração de informações implícitas e/ou explícitas de textos de diversas naturezas; elaboração de mapas e quadros conceituais; comparação de dados representados em diversas linguagens
Estratégias: elaboração de quadro conceitual; consultas e leitura do material didático adotado; pesquisa e leitura de artigos de jornais, revistas e internet; grupos de investigação; exibição de filme e posterior comentários do professor e relatório; elaboração de trabalho escrito.
Recursos: material didático adotado; mapa; textos jornalísticos e didáticos; internet; vídeo; lousa.
Avaliação: participação individual nas discussões e exercícios propostos; aulas e grupos de investigação; entrega e leitura do artigo jornalístico solicitado; elaboração e entrega de quadro conceitual; relatório de vídeo.
CONTEÚDO
O COMERCIO MUNDIAL
Incomodado com o crescimento da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), o Canadá partiu para a retaliação e, em fevereiro de 2001, proibiu a importação da carne bovina brasileira, sob a alegação de que estava contaminada pelo mal da "vaca louca". Os veículos de comunicação no Brasil deram destaque ao assunto, que trouxe à discussão as regras do comércio internacional. Muitas dúvidas surgiram:
- Existe alguma entidade que regula as trocas comerciais entre os países?
- Como funcionam os blocos econômicos?
Na verdade, para responder a essas perguntas, é muito importante saber que as trocas comerciais são realizadas, simultaneamente, de duas maneiras no mercado mundial -sob a forma de relações multilaterais e através da regionalização criada pêlos blocos econômicos.
O comércio multilateral
Consideramos como comércio multilateral aquele que é realizado pêlos países fora de seus blocos econômicos. Vimos que, na época colonial, valia a lei do mais forte, em que o monopólio exercido pelas metrópoles penalizava as transações comerciais das colônias.
Somente após a Segunda Guerra Mundial, começaram as discussões para criar uma entidade que regulamentasse o comércio multilateral em escala mundial e, desse modo, fosse possível evitar favorecimentos e protecionismos.
A mesma reunião de Bretton Woods, que em 1944 criou o FMI e o Banco Mundial, havia previsto formar uma organização com essa finalidade - a Organização Internacional do Comércio (OIC). Após a criação da ONU, iniciaram-se os trabalhos para a redação da Carta da OIC, que duraram dois anos (1946-1947) e resultaram na Carta de Havana, documento que instituiria a Organização Internacional do Comércio. Entretanto, o documento não conseguiu unanimidade para ser ratificado pêlos 56 países reunidos em Cuba, em novembro de 1947.
Dessa forma, a única saída foi a aprovação de um acordo provisório, assinado por 23 países, entre eles o Brasil, que entrou em vigor em lº de janeiro de 1948. O Acordo Geral de Comércio e Tarifas (GATT, sigla do inglês General Agreement of Tariffs and Trade), a princípio um "arranjo provisório", durou até 1995, quando se tornou a Organização Mundial do Comércio (OMC), após anos de várias reuniões denominadas rodadas, das quais a mais longa foi a Rodada Uruguai (1986-1993).
O GATT tinha caráter provisório e não incluía os países do bloco socialista, mas realizou alguns progressos em acordos multilaterais e na redução de tarifas alfandegárias. Estabeleceu a principal regra para o comércio mundial: o Princípio de Não Discriminação, que proíbe diferenças de tratamento entre os países membros ou protecionismos. Esse continua sendo o princípio básico da OMC.
A Rodada Uruguai começou em Punta dei Este, em 1986, e terminou no Marrocos, em 1993, com a Declaração de Marrakech, assinada por 114 dos 125 países participantes. Com essa Declaração, estava criada a Organização Mundial do Comércio, em l de janeiro de 1995, com sede em Genebra, Suíça. Desde a Conferência Ministerial realizada em Catar, de 9 a 13 de novembro de 2001, a OMC é constituída por 143 países membros e 31 observadores. A República Popular da China e Taiwan foram os dois última membros admitidos na organização.
GATT e OMC
Na realidade, existem algumas diferenças básicas entre o GATT e a OMC. O primeiro era só um "acordo provisório", embora tenha durado quase cinquenta anos. Como era provisório, suas regras de conduta para o comércio mundial não tinham bases muito sólidas. Qualquer país podia vetar a decisão tomada pelo painel do GATT, em qualquer disputa comercial. Hoje, quem viola as regras da OMC deve retroceder, sob pena de sofrer sanções comerciais. A OMC tem países membros (é uma organização); o GATT tinha "partes contratadas" (era um acordo).
Quando esse acordo foi criado, o comércio mundial era dominado por bens e produtos (agrícolas, minerais, industriais). Porém, com o passar do tempo, a economia mundial ficou muito mais complexa. O comércio mundial de serviços (transportes, turismo, bancos, seguros, telecomunicações) ou de idéias (consultoria, livros, patentes), classificados como propriedades intelectuais, tornou-se extremamente importante.
Foi exatamente nesses setores que a OMC ampliou o GATT, que foi extinto como órgão, mas teve preservados os seus acordos para o comércio de bens e produtos, fazendo parte dos tratados da OMC.
Complementando sua atuação, a OMC regulamentou o comércio de serviços em uma série de acordos denominados GATS (General Agreement on Trade in Services). Os direitos às propriedades intelectuais foram disciplinados nos TRIPS (Agreement on Trade Related Aspects of Intellectual Property Rights).
Dessa forma, a OMC reuniu três acordos em uma organização com um só sistema de regras e de resolução de disputas comerciais entre os países.
Enfim, a OMC tem síaítis permanente, é uma organização internacional (como o FMI e o BIRD), e suas resoluções têm base legal porque seus membros concordaram em seguir as regras estabelecidas. Não é apenas uma extensão do GATT, mas uma instituição com um forte poder mundial, da qual fazem parte os acordos do GATT.
Princípios da OMC
Os princípios básicos do GATT, em relação aos produtos, foram aplicados e ampliados pela OMC para todo o comércio multilateral.
Podemos resumir as principais regras da organização em alguns pontos básicos:
- Não discriminação dos países membros: não deve haver uma nação mais favorecida que outras.
- Reciprocidade: mercadorias importadas e nacionais devem ter condições igualitárias, pelo menos quando as importadas já estiverem dentro dopais.
- Acesso aos mercados em igualdade de condições; redução de obstáculos ao comércio internacional.
- Concorrência leal: a OMC não é uma instituição de livre-comércio, mas "um sistema de normas consagradas, fundamentadas em uma concorrência livre, leal e sem distorções".
TRIMS
A OMC também se preocupa com o capital especulativo e a ação das transnacionais no mundo. Por isso, foram estabelecidos acordos para as medidas relacionadas com investimentos e ligadas ao comércio CTRIMS, sigla do inglês Agreement on Trade Related Investment Measures
Assim caminha a OMC
Marcada para 1999, em Seattle (EUA), a esperada Rodada do Milênio da OMC, que definiria os rumos da organização no novo século, não teve sucesso. Desentendimentos entre países ricos e pobres, bem como manifestações de ambientalistas, sindicatos e ONGs contrárias à globalização, impediram a sua realização.
Durante a quarta Conferência Interministerial da OMC, realizada em Doha, Qatar, além do ingresso da China e de Taiwan na organização, foram decididos assuntos importantes, como:
- a quebra das patentes para a produção de remédios genéricos para países pobres que enfrentam epidemias;
- o acordo entre Estados Unidos e União Européia em rever subsídios e medidas protecionistas praticados por ambos, em vários setores;
- o compromisso dos países em desenvolvimento de abrir mercados para a atividade bancária e para o setor de seguros, além de condicionar preocupações ambientais a discussões comerciais.
No fim do encontro, os participantes decidiram que as negociações sobre os temas da Rodada da OMC, iniciada em Doha, seriam retomadas no fim de janeiro de 2002.
OMC ou regionalização?
Uma das características da globalização, como já vimos, é a formação dos blocos econômicos regionais. seriam eles rivais da OMC?
Na verdade, são processos de comércio diferentes. Porém, se por um lado a formação de blocos favorece o livre-comércio, como a OMC, por outro, ameaça o princípio da Nação mais Favorecida (NMF), porque há regalias para os países membros (o artigo 24 do GATT abre exceção para participantes dos blocos).
Apesar disso, a organização pretende que a criação de blocos seja um aliado para um comércio cada vez mais aberto, uma vez que o comércio regional deve complementar e não ameaçar o funcionamento multinacional das atividades comerciais.
O mundo em blocos
Desde que os países europeus ocidentais optaram pela integração econômica para enfrentar a concorrência dos Estados Unidos, no mundo pós-guerra, a fórmula tem sido seguida em outros continentes, porém com o mesmo objetivo: ficar mais fortes no cenário internacional.
A atual União Européia tem um alto grau de integração, mas nem todos os blocos que se formaram adotaram as mesmas medidas. Podemos considerar diferentes graus de integração entre as diversas associações;
Zona de livre-comércio. Nesse tipo de bloco, a intenção é apenas criar uma área de livre circulação de mercadorias e capitais: Ex.: Nafta -Acordo de Livre-Comércio da América do Norte.
União aduaneira. Além da zona de livre circulação de mercadorias e capitais, na união aduaneira é usada uma tarifa externa comum (TEC) em relação a países que não pertencem ao bloco. Ex.: Mercosul.
Mercado comum. Além de apresentar as mesmas características das associações anteriores, o mercado comum compreende a livre circulação de pessoas e a padronização das legislações econômica, trabalhista, fiscal e ambiental. Ex.: União Européia até dezembro de 1998.
União política e econômica. Atual estágio da União Européia, após a adoção da moeda única, o Euro.
Os maiores blocos econômicos da globalização são: União Européia, Nafta, Mercosul e Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico).
Um Bloco Diferente
Com a evolução da atual fase do capitalismo e o surgimento de novos pólos de poder econômico, podemos considerar um bloco no qual os países não assinaram acordos formais para a sua constituição.
Houve, sim, uma forte influência de um país, o Japão, que reuniu, ao seu redor, uma série de países que têm suas economias ligadas ao crescimento japonês. É a bacia do Pacífico ou bloco do Pacífico, considerada uma área de integração por investimentos.
Entenda O "Blocones"
Para compreender melhor como funcionam os blocos econômicos, veja o significado de algumas expressões usadas para defini-los.
-Tarifa : É o Imposto cobrado para a entrada de mercadorias em um país.
- TEC - Tarifa Externa Comum: É uma tarifa comum, cobrada por um grupo de países que, na qualidade de sócios, exigem o mesmo imposto à entrada de mercadorias provenientes de países que não fazem parte do bloco.
- Dumping: É a venda em um mercado estrangeiro de um produto a preço "abaixo de seu valor justo", geralmente menor do que o preço cobrado pelo produto dentro dopais exportador, ou quando é vendido para outros países. De modo gerai, o dumping é reconhecido como uma prática injusta de comércio, passível de prejudicar os fabricantes de produtos similares no país importador.
- Subsídios: São benefícios econômicos que um governo concede aos produtores de bens, muitas vezes para fortalecer sua posição competitiva. O subsidio pode ser direto (subvenção em dinheiro) ou indireto (crédito à exportação com juros baixos, por exemplo).
Pesquisa e produção:
Professor Miguel Jeronymo Filho
Edição
2010
A REGINALIZAÇÃO DO ESPAÇO MUNDIAL
PROJETO
Diferenciar critérios de regionalização é um passo importante para a compreensão do es¬paço mundial. Por ser diferenciado em função da variedade de elementos da natureza (clima, relevo, solo, vegetação etc.) e das sociedades (produção de riquezas, culturas etc.), o espa¬ço geográfico pode ser dividido e classificado de diferentes modos em regiões ou grupos de países levando em conta as diferenças e seme¬lhanças das diversas áreas conforme um crité¬rio específico. Esta Situação de Aprendizagem apenas introduz uma primeira aproximação com o tema regionalização, para aprofundá-lo nas demais.
Conteúdos: o espaço mundial pode ser dividido e classificado com o uso de vários critérios, portanto, visto sob perspectivas diferentes. Interpretá-lo depende da escolha de caminhos e modelos de análise adequados e que possam servir de orientação de acordo com o propósito que pretendemos atingir. Daí resulta o toco nesta Situação de Aprendizagem no tema regionalização, na qual são propostas estratégias didáticas que permitam aos alunos compreender ao menos duas noções fundamentais:
a) Regionalizar um determinado espaço geográfico significa dividir ou agrupar suas partes e regiões de acordo com características comuns.
b) Qualquer regionalização é apenas parcialmente verdadeira, pois quem agrupa ou reúne suas partes o faz de acordo com um interesse especifico.
As formas como sào consideradas as diferentes escalas geográficas é problematizada recorrendo-se à leitura, interpretação e comparação de mapas distintos, demonstrando-se como as opções de regio¬nalização do espaço mundial não devem ser vistas como certas ou erradas, mas de acordo com a sua intencionalidade, pois atendem a interesses específicos, assim como quanto à sua parcialidade, já que são produzidas para atender a determinados fins.
Competências e habilidades: estabelecer a diferenciação entre critérios de regionalização; desenvolver habilidades de leitura e produção de textos contínuos (narrativas, textos expositivos e descritivos) e des¬contínuos (leitura e interpretação de mapas); ler e interpretar mapas para extrair informações que lhes permitam identificar singularidades e distinções acerca da regionalização do espaço mundial; identificar dados, representações e informações encontradas em cartas e mapas para comparar as diferentes pers¬pectivas de compreensão do espaço mundial, geralmente complementares.
CONTEÚDO
Diferentes Critérios Para Dividir O Mundo Em Regiões
A Divisão por Continentes
Assim temos a Europa, Ásia, África, América do Norte, Central e do Sul e a Oceania.
Essa divisão por continentes segue um critério natural muito primário: grandes porções de terra e grandes porções de água, os Oceanos. Mas mesmo tendo como base à natureza, podemos dividir a Terra em outras maneiras. Uma delas, também bastante antiga, é a regionalização por faixas climáticas. De acordo com o Clima podemos determinar algumas regiões: Zonas Polares: Ártica e Antártica, Zonas Temperadas do Norte e Sul e Zona Intertropical.
O clima faz com que essas regiões sejam muito diferentes uma das outras; basta lembrar das florestas.
Além dos Continentes e do Clima uma outra forma de se regionalizar a Terra ainda tendo como base à natureza, é através dos ecossistemas. Nesse caso todos os fatores naturais são considerados: Clima, Fauna, Relevos, Solo, Flora, Geologia.
- as zonas climáticas do globo
- os biomas terrestres (formações vegetais)
- os conjuntos gelógicos (riquezas minerais)
- os conjuntos geomorfológicos (formas do relevo)
Agora vamos mudar o nosso olhar! Ao invés de destacar a natureza, vamos destacar a sociedade. Vamos pensar em critérios políticos e econômicos. Eles são hoje, os mais utilizados para dividir a terra em regiões. E o mais básico desse critério divide as nações do planeta levando-se em conta as condições econômicas e sociais.
Há algum tempo atrás podíamos dividir o mundo em três mundos diferentes: 1o, 2o e 3o mundos. No final dos anos 80 um desses três mundos praticamente desapareceu. Você sabe qual foi?
O Primeiro; b.O Segundo; c.O Terceiro;
o Primeiro Mundo era formado pelos países capitalistas ricos, desenvolvidos como os Estados Unidos, Japão e países da Europa Ocidental, por exemplo, Alemanha, França e Inglaterra.
O Segundo mundo pelos países socialistas liderados pela União Soviética;
O Terceiro pelos países pobres, subdesenvolvidos.
No final dos anos 80 a história deu uma importante guinada. As experiências socialistas praticamente desapareceram e com elas foi-se junto o 2º mundo. * "Começando nas Repúblicas Bálticas, Estônia, Letônia e Lituânia e depois se espalhando por todo o país, os nacionalismos outrora sufocados começaram a explodir. Diversas Repúblicas Soviéticas tornaram-se independentes. Temendo as conseqüências desse processo Gorbatchev cria a Comunidade dos Estados Independentes que substitua o regime centralizado de Moscou. Até hoje essa organização encontra-se indefinida e há muitos conflitos com a Rússia".
O mundo assistiu a desintegração, nem sempre pacífica, do Império. Mas não há muitos argumentos a favor do otimismo. A Comunidade dos Estados Independentes tomou o lugar da União Soviética.
Outra maneira de se regionalizar o mundo é a divisão em país Centrais e Periféricos. Centrais são os países Desenvolvidos que exercem influência sobre os países pobres ou Periféricos. Existem também países que são semi-periféricos, o Brasil é um exemplo desse tipo de país. Internacionalmente ele é Periférico, mas dentro do Cone Sul ele é Central, exportando seus produtos e serviços e com a mão-de-obra melhor qualificada que a de seus vizinhos.
Países Desenvolvidos:
As sociedades desses países são altamente consumistas isto é percebido sobretudo devido ao poder aquisitivo elevado da sociedade e a grande quantidade produtos com tecnologia avançada, que são lançados no mercado a cada ano. Se todas as nações do mundo passassem a consumir supérfluos com a mesma intensidade das nações desenvolvidas o mundo entraria em colapso, pois, não haveria matéria-prima suficiente para abastecer a todos os mercados.
A luta por melhores condições de vida da população é visível, principalmente no que diz respeito a uma melhor distribuição de renda, não existindo grandes disparidades entre uma classe social e outra. Para que isso fosse possível foi necessário a participação direta da sociedade, exigindo dos seus governantes uma postura voltada para os interesses da população.
Os governos passaram a cobrar mais impostos das classes sociais mais favorecidas em prol da sociedade. Os impostos cobrados são direcionados à construção de escolas, habitações, estradas, hospitais, programas de saúde, aposentadorias mais justas, etc., isto foi possível graças ao engajamento consciente de todos os cidadãos na formação do Estado Democrático.
A democracia existe de fato nas nações desenvolvidas, e consiste num Estado de direito que resulta de reivindicações permanentes por parte dos cidadãos. A democracia é um processo contínuo de invenção e reivindicações de novos direitos.
Países subdesenvolvidos:
Países que no passado foram colônias de exploração de países colonizadores e que devido ao fato de não receberem investimentos e atenção dos colonizadores, possuem hoje sérios problemas socioeconômicos:
Passaram por um grande processo de exploração durante o período colonial. Colônia de Exploração;
Baixo nível de industrialização, com exceção de alguns países como: Brasil, México, os Dragões de Exploração;
Dependência econômica, política e cultural em relação às nações desenvolvidas;
Deficiência tecnológica e baixo nível de conhecimento científico;
Rede de transporte e meios de comunicação deficientes;
Baixa produtividade na agricultura que geralmente emprega numerosa mão-de-obra;
População Ativa empregada principalmente nos setores primários ou no setor terciário em atividades marginais (camelôs, trabalhadores sem carteira assinada etc). Exemplo: Brasil, Etiópia, Uruguai;
Cidades com crescimento muito rápido e cercada por bairros pobres e miseráveis;
Baixo nível de vida da maioria da população;
Crescimento populacional elevado;
Elevada taxa de natalidade e mortalidade infantil;
Expectativa de vida baixa.
Existem países subdesenvolvidos que são fortemente industrializados como é o caso do Brasil, México, Argentina, Dragões Asiáticos, etc. A industrialização existente nesses países na verdade é sustentada por países desenvolvidos, que os utilizam para expandir seus parques industriais e garantir lucros vultuosos. Um exemplo nítido de expansão industrial é, o caso dos Dragões Asiáticos que evoluíram enormemente nas últimas décadas, principalmente no setor industrial através do capital e tecnologia japonesa.
Alguns fatores atraem esses investimentos estrangeiros para os países subdesenvolvidos, como:
Mão-de-obra barata e numerosa;
Muitas vezes são isentos de pagamento de impostos;
Doação de terrenos por parte do governo;
Remessa de lucro das transnacionais para a sede dessas empresas;
Legislação flexível.
Países Emergentes
Na nova ordem mundial, o conflito Leste-Oeste da guerra fria foi substituído pelo conflito Norte-Sul, que opõe entre si as grandes diferenças que separam a riqueza, a tecnologia e o alto nível de vida, da pobreza, da exclusão dos novos meios técnico-científicos e dos baixos níveis de vida.
Mundo Bipolar
Antes da Segunda Guerra, havia uma ordem mundial multipolar, ou seja, com base em vários pólos ou centros de poder que disputavam a hegemonia (supremacia) internacional: a Inglaterra, a França, a Alemanha, eram grandes concorrentes no continente europeu e também na colonização da África e da Ásia; os Estados Unidos, que já se tornara uma potência no continente americano, o Japão e a Rússia.
O final da Segunda Guerra trouxe um novo cenário: as potências européias estavam arrasadas; o Japão também saiu arrasado da guerra e perdeu as áreas que havia conquistado no Oriente (Coréia, Manchúria e parte da Sibéria, etc.). Duas novas potências mundiais - Estados Unidos e a União Soviética - passaram a dividir o mundo entre si. Foi a época da bipolaridade, da ordem mundial bipolar, baseadas em dois pólos ou centros de poder, que durou cerca de 45 anos, desde o final da Segunda Guerra Mundial até por volta de 1991.
Ò mundo bipolar foi marcado pela disputa entre o capitalismo e o socialismo. Cada grande super-potência liderava seu bloco de países: os Estados Unidos eram o líder econômico e político-militar do mundo capitalista, e a União Soviética, a guardiã e exemplo a ser seguido do antigo mundo socialista. Essa ordem mundial entrou em crise no final dos anos 80, devido a um maior crescimento de outros centros capitalistas (Japão e Europa Ocidental), que passaram a disputar a supremacia internacional com os Estados Unidos, e ao esgotamento do sistema socialista adotado pela União Soviética e demais países desse bloco.
A Divisão Norte-Sul
O fim da Guerra Fria, o declínio econômico relativo dos Estados Unidos e da União Soviética, a unificação econômica e política da Europa, o crescimento econômico do Japão, o surgimento dos tigres asiáticos e o rápido desenvolvimento das reformas chinesas liquidaram com a bipolaridade que opunha Estados Unidos e União Soviética. Embora os Estados Unidos se mantenham como uma superpotência militar, o mundo tende para uma multipolaridade econômica e política que pode evoluir também para uma multipolaridade militar.
Divisão Norte-Sul – Divisão simbólica para caracterizar as diferenças de riqueza e renda entre os países do chamado Primeiro Mundo, a maioria situada ao norte do equador, e os países pobres do Terceiro Mundo, a maior parte deles ao sul.
Com a crise do mundo socialista, aumenta a oposição entre o Norte industrializado e o Sul subdesenvolvido. Isso porque deixa de haver o conflito Leste-Oeste, ou seja, entre o socialismo real e o capitalismo. As duas potências tinham, nas últimas décadas, um poderio avassalador e quase nenhum conflito importante no plano mundial deixava de ter a participação direta ou indireta delas.
Uma guerra civil num país africano ou asiático, por exemplo, mesmo que tivesse uma razão étnica, sempre acabava sendo instrumentalizada (armada) pelas duas superpotências. Uma delas ajudava de um lado - oferecendo armamentos e auxílio financeiro - e a outra fazia o mesmo com o outro lado da disputa. Isso dava a impressão que um dos lados combatia pelo socialismo e que o outro defendia o capitalismo ou a democracia.
Com isso, a oposição entre o Norte rico e o Sul pobre nunca transparecia claramente, ou dominada pelo conflito entre Leste socialista e o Oeste capitalista. Com a crise do socialismo, a oposição Norte-Sul torna-se mais direta, mais visível.
Outro fato que reforça a oposição Norte-Sul é a volta dos países socialistas ao mundo capitalista. Esses países do Segundo Mundo não podiam, até o final dos anos 80, ser perfeitamente classificados nem ao Norte (desenvolvidos), nem ao Sul (subdesenvolvidos), pois não possuiam empresas particulares e muito mentos firmas estrangeiras em seus territórios, tinham um comércio externo relativamente pequeno e uma distribuição social da renda mais ou menos equilibrada, sem os violentos contrastes que existem nos países subdesenvolvidos (onde as camadas mais ricas concentram grande parte da renda nacional e as camadas mais pobres da população ficam com uma parcela mínima dessa renda).
Hoje esses países tem novamente empresas privadas e filiais de firmas estrangeiras, abrem-se cada vez mais para o comércio mundial e as diferenças salariais e de rendimentos, em geral, vem se ampliando. Dessa forma eles já podem em grande parte ser classificados como Norte desenvolvidos (caso das economias mais industrializadas) ou Sul subdesenvolvido(caso da maioria dos países que adotaram a economias planificadas.
De forma resumida podemos dizer que isso se deve ao seguinte: enquanto as economias mais avançadas do Norte industrializado estão atravessando a chamada revolução técnico-científica, com substituição de força de trabalho desqualificada por máquinas (especialmente robôs), com a expansão da informática, etc., os países mais pobres do Sul só têm duas coisas a oferecer - matéria-prima e mão-de-obra -, e esses dois elementos perdem valor a cada dia. Em grande parte já terminou a época da mão-de-obra desqualificada e a importância dos minérios e gêneros agrícolas em geral. Somente os países com uma força de trabalho qualificada (resultado de um ótimo sistema educacional) e tecnologia avançada é que possuem condições ideais para o desenvolvimento.
Todos os países do Sul ou do Terceiro Mundo são economicamente dependentes dos países desenvolvidos. Tais dependências manifestam-se de três maneiras:
Endividamento externo. Normalmente todos os países subdesenvolvidos possuem vultuosas dívidas para com grande empresas financeiras internacionais, localizadas nos países desenvolvidos.
Relações comerciais desfavoráveis. Geralmente os países subdesenvolvidos exportam para as nações ricas produtos primários (não industrializados), como gêneros agrícolas (café, açúcar, algodão, etc.) e minérios de ferro, cobre, manganês, etc. As importações, por sua vez, consistem basicamente em artigos manufaturados (industrializados), material bélico e produto de tecnologia avançada (aviões, computadores, máquinas automatizadas, etc.). Tais relações mostram-se desvantajosas para o Terceiro Mundo, pois os artigos importados têm os preços bem mais altos que os exportados.
Forte influência de empresas estrangeiras. Nos países subdesenvolvidos, boa parte das principais empresas industriais, comerciais, mineradoras e até agrícolas é de propriedade estrangeira, possuindo matriz nos países desenvolvidos (multinacionais). Uma grande parcela do lucro dessas empresas é remetida para as matrizes, o que provoca acentuada descapitalização nos países do Terceiro Mundo.
Grandes Desigualdades Sociais
Em todos os países subdesenvolvidos, a diferença entre ricos e pobres é muito acentuada, bem maior que nos países desenvolvidos ou do Norte. Dessa forma a população de baixa renda acaba tendo sérios problemas de subnutrição, falta de moradia, inadequado atendimento médico-hospitalar, insuficiência de escolas, etc.
O mundo multipolar
Com o fim da bipolaridade, os Estados Unidos viram-se transformados na potência "vencedora" da guerra fria e assumiram o papel da grande potência mundial. Entretanto, apesar do indiscutível poderio americano, Japão e Alemanha (hoje reunificada e integrando a União Européia) também apareciam como pólos da economia mundial, que se tornou, então, multipolar.
Essa nova situação, que o presidente norte-americano George Bush chamou de nova ordem mundial na Conferência de Malta, em 1989, na verdade não trouxe muita coisa de novo. O que deixava de existir era a velha ordem bipolar e a rivalidade entre sistemas econômicos opostos que buscavam competir usando a capacidade militar.
Com a volta do mundo (com raras exceções) ao capitalismo, que prioriza o lucro e a propriedade privada, a economia mundial passou a funcionar segundo a lógica desse sistema.
A multipolaridade, isto é, o aparecimento de novos pólos econômicos, nada mudou na distribuição da riqueza no mundo. Os países ricos continuam ricos. E os pobres (ex-Terceiro Mundo) continuam pobres. Sem inimigo a ser vencido, a corrida armamentista perdeu força. A busca de novas estratégias para ganhar mercados passou a ter prioridade na ordenação econômica do mundo.
Porém devemos admitir que mudanças fundamentais ocorreram nessa fase do capitalismo financeiro, que passou a ser chamada de.globalização. Na globalização, há um crescente aumento dos fluxos de informações, mercadorias, capital, serviços e de pessoas, em escala global. São as redes, que podem ser materiais (transportes) ou virtuais (Internet). A integração de economias, culturas, línguas, produção e consumo, através das informações, transformaram o mundo em uma aldeia global.
Ess nova ordem costuma ser definida como multipolar. Isto quer dizer que existem vários pólos ou centros de poder no plano mundial. Normalmente consideram-se três grandes potências de poderio econômico, tecnológico e político-diplomático: os Estados Unidos, o Japão e a União Européia (Europa Ocidental). Existe ainda a possibilidade do fortalecimento de dois outros pólos, a Rússia e a China, bem menos importantes que aqueles três.
Na nova ordem, não há mais uma única oposição Leste-Oeste, ou socialismo-capitalismo.
No lugar de um mundo simples, temos uma realidade mais complexa, com multiplas oposições ou tensões, de diversas natureza, diferença entre países ricos e pobres, entre povos cristãos ou hinduístas e povos islâmicos, entre os interesses mercantis que degradam o meio ambiente e a consciência de que devemos preservar a natureza, etc.
Divisão Internacional Do Trabalho
Geograficamente falando essa distribuição de tarefas é de muita importância, pois é isso que em grande parte nos explica muitas das nossas paisagens que até hoje podemos observar nas chamadas áreas subdesenvolvidas” do globo.
À África e a América latina, por exemplo, foram impostas funções como as de fornecimento de mão-de-obra escrava e matérias primas, tais funções se traduziram nesses locais em paisagens bastante diferentes daquela que observamos nos países da Europa.
Neste sentido os europeus desenvolveram um intenso processo de colonização, marcados pela desorganização nas formas de produzir, circular e pensar dos povos nativos das áreas colonizadas, onde ação genócida e etnocida, além da desterritorialização foi pontos importantes no sentido de consolidar o poder do colonizador e abrir caminho para reorganizar o espaço dessas áreas com a perspectiva de atender o desejo de acumulação de riquezas da burguesia européia.
No entanto, o sistema capitalista só iria se consolidar definitivamente no século XVIII, cuja a intensa transformação do processo produtivo ficou conhecida historicamente como Revolução industrial dividindo-a em três etapas: Primeira a Segunda e a Terceira Revolução Industrial.
Nesse período a divisão internacional do trabalho (DIT) iria sofre modificações devido o surgimento de um novo modelo de produção, já que não era mais suficiente aquele modelo em que o trabalhador se agrupava em vilas de aldeões para que a partir das oficinas de ofício desenvolvesse o seu trabalho. Por advento da revolução industrial esse sistema foi sendo deixado de lado, pois era bem mais lucrativo para os capitalistas produzirem em fábricas do que ficar dependente dos artesões. Por este motivo iniciou-se uma nova fase na DIT (divisão internacional do trabalho) que vai da revolução industrial até a segunda guerra mundial.
Nesse momento o mudo está dividido em países que se especializaram em fornecer matérias primas e países que se especializaram em fornecer produtos industrializados. É interessante perceber todos os países que se especializaram no fornecimento de matérias primas sofreram um fenômeno conhecido como descapitalização, e o seu futuro ficou fadado ao subdesenvolvimento, como exemplo podemos citar: BRASIL, ARGENTINA e o restante da AMÉRICA LATINA.
Por outro lado todos aqueles países que se especializaram em produzir produtos de valor, isto é, produtos manufaturados ou industrializados tornaram-se países desenvolvidos e lideres do sistema capitalista.
A fase de desenvolvimento do capitalismo após a segunda guerra mundial ficou conhecida com capitalismo financeiro, e novamente acarretou varias modificações na divisão internacional do trabalho (DIT). Foi nessa época que os países desenvolvidos trataram de consolidar a dependências dos países subdesenvolvidos principalmente através de empréstimos, financiados pelos países detentores de capital, a partir deste momento vários países passaram a desenvolver indústrias dentro do seu território como foi o caso do Brasil Argentina e países do sudeste asiático.
Outro fato a ser destacado é a mudança ocorrida no mundo do trabalho, já que o modelo de produção estava sendo substituído, pois o fordismo já não mais dava conta da demanda e não atendia mais as exigências do mercado internacional. O Japão foi um dos países pioneiro na passagem do fordismo para a fase pós-fordismo, para acumulação flexível.
Blocos econômicos
A formação de blocos econômicos é uma regionalização dentro do espaço mundial, mas também uma forma de aumentar as relações em escala global, pois, ao participar de um bloco, um país tem acesso a vários mercados consumidores, dentro e fora do seu bloco.
Os principais blocos regionais são: União Européia, Mercosul, Nafta e Apec,.
A Regionalização
Surge em decorrência do avanço do sistema capitalista, que no final do século XX apresenta-se em um estagio nunca antes visto. Este estágio de desenvolvimento capitalista provocou uma mudança estrutural no comércio mundial, e para acompanhar, tais mudanças, os estadosnações tiveram que se adequar à nova forma de interação existente no mercado mundial.
Aparece um novo paradigma de produção, consumo e comercialização. Isso fez com que os países passassem a se organizar em blocos econômicos de poder, para que a partir de então conseguissem ingressar com sucesso na nova configuração econômica mundial.
A globalização de idéias
Esse processo de integração mundial, chamado globalização, não é só económico. Ele tem ao mesmo tempo uma dimensão política, social e cultural.
Para se estabelecer mundialmente, a grande empresa precisa da globalização cultural. O lazer, as formas de se vestir, as revistas, os jornais, as formas de consumo precisam ser parecidas em qualquer lugar do mundo.
O rádio e a televisão têm um papel importante na formação dessa cultura, pois, ao mesmo tempo que divulgam músicas, filmes e informações, sugerem um padrão de vida e de consumo que deve ser seguido para alcançar a felicidade.
Daí a importância de preservar e valorizar as culturas e identidades próprias de cada país, ameaçadas de desaparecer, como as fronteiras do capital e do comércio mundial.
A globalização do crime
As atividades do crime organizado também se beneficiam das facilidades tecnológicas das comunicações do mundo globalizado.
O tráfico de drogas, de mulheres e crianças, as "máfias" de várias nacionalidades {chinesa, japonesa, coreana), além da original italiana, encontram mais facilidades para expandir suas ações criminosas. O terrorismo espalha mais rapidamente suas células de ação pelo mundo graças a essas facilidades.
A ordem mundial pós- 11 de setembro
O dia 11 de setembro impôs final súbito à era pós-Guerra Fria que havia começado quase exatamente 12 anos antes. Aquele período originou-se da queda dramática do Muro de Berlim na noite de 9 de novembro de 1989, acompanhada em rápida sucessão pelo colapso do comunismo na Europa Oriental, pelo final da Guerra Fria e, em dezembro de 1991, pela dissolução da União Soviética. Pela primeira vez em mais de meio século, os Estados Unidos pareciam não mais enfrentar uma grande ameaça isolada à sua segurança nacional e ao seu modo de vida. No final da década de 1930 e na Segunda Guerra Mundial, essa ameaça veio do fascismo. Durante a Guerra Fria, era a União Soviética e o comunismo soviético. Nos dois casos, o perigo era expressivo e sem ambigüidades. Como resultado, nos Estados Unidos e entre seus aliados, havia amplo consenso sobre a existência de uma importante
O dia 11 de setembro marcou o início de uma nova era no pensamento estratégico norte-americano. Os ataques terroristas daquela manhã tiveram impacto comparável ao ataque a Pearl Harbor em sete de dezembro de 1941, que lançou os Estados Unidos para a Segunda Guerra Mundial. Antes de 11 de setembro, o governo Bush encontrava-se na fase de desenvolvimento de uma nova estratégia de segurança nacional. Isso estava sendo feito com a Análise Quadrienal da Defesa, bem como em outros cenários. Em um momento, entretanto, os ataques de 11 de setembro transformaram o ambiente de segurança internacional. Uma ameaça totalmente nova e perniciosa subitamente tornou-se realidade e ditou uma nova e importante estratégia para os Estados Unidos. Esta nova política, agora cognominada "Doutrina Bush", concentra-se na
ameaça do terrorismo e das armas de destruição em massa.
Situação de aprendizagem 2
AS REGIÕES DA ONU
Conteúdos: esta Situação de Aprendizagem trabalha regionalizações do espaço mundial divulgadas lar¬gamente pela mídia, procedentes de critérios utilizados pelo Banco Mundial e pelo Programa das Nações o Desenvolvimento (PNUD). Trata-se, portanto, de sugerir estratégias para a compreensão das principais formas de divisão e agrupamento dos países do mundo com base na mensuração ou indicação do nível de desenvolvimento ou, em outras palavras, destinadas a retratar e analisar a difusão da pobreza. Isso é realizado via procedimentos didáticos complementares, definindo-se conceitos básicos (PIB, renda per capita e proporcionando a leitura e interpretação de gráficos, bem como a decodificação da relação significante/significado presente nos signos cartográficos dos mapas, além do estímulo à leitura associada e comparativa de mapas e gráficos.
Competências e habilidades: relacionar diferentes linguagens, como a cinematográfica e a cartográfica, para extrair informações e elaborar texto sobre a realidade mundial; compreender os principais critérios de regionalização do espaço mundial adotados pelo Banco Mundial e PNUD; diferenciar os conceitos de PNB per capita e PIR per capita, aplicando-os na leitura e interpretação de mapas; conceituar IDH por meio do entendimento dos critérios considerados para a elaboração desse índice; ler e interpre¬tar mapa e gráfico sobre o IDH dos países do mundo.
Estratégia: leitura e interpretação de mapas; aulas expositivas sobre os conceitos fundamentais, com auxílio dos mapas selecionados; leitura, interpretação e comparação entre diferentes registros (mapas e gráficos).
Recursos: mapas; gráficos; lousa; vídeo.
Avaliação: dos textos solicitados no final das etapas e participação geral nas discussões.
CONTEÚDO:
FMI Fundo Monetário Internacional.
Criado em 1944, o FMI tem como missão fundamental reduzir o desequilíbrio das balanças de pagamentos dos países-membros mediante a concessão de créditos procedentes de seus próprios recursos e a estabilização do câmbio. A adesão ao FMI implica a aceitação de uma carta monetária internacional que impõe aos estados-membros obrigações relativas à estabilidade e à conversibilidade monetária.
Banco Mundial.
O Banco Mundial foi criado em 1944, na conferência de Bretton Woods, da mesma forma que o FMI. Tem entre seus objetivos conceder créditos a países subdesenvolvidos para o financiamento de projetos e facilitar-lhes ajuda técnica. Integram o Banco Mundial ou Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD); a Corporação Financeira Internacional (CFI), criada em 1956 para complementar a ação do BIRD, especialmente na criação e expansão de empresas privadas; e a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID), constituída em 1960 para a concessão de empréstimos em melhores condições que as oferecidas pelo BIRD.
Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT).
Conhecido universalmente pelas iniciais de sua denominação inglesa (General Agreement on Tariffs and Trade), o GATT foi criado em Genebra, em outubro de 1947. Seus objetivos fundamentais são o fomento dos acordos de redução tarifária, a supressão de barreiras aos intercâmbios comerciais e a eliminação de discriminações nesse campo. O GATT consolidou-se como organização que rege o comércio mundial.
Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento.
A United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) foi criada em 1964, para levar as reivindicações dos países subdesenvolvidos aos países industrializados.
Organização de Alimentação e Agricultura.
Conhecida também por sua sigla em inglês, a Food and Agriculture Organization (FAO) foi fundada em Québec, Canadá, em 1945, e tem sede em Roma. Seu objetivo principal é o incremento da produtividade mundial dos setores agrícola, florestal e pesqueiro.
Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Estabelecida em 1919, a OIT passou a fazer parte das Nações Unidas em 1946. Encontram-se entre seus objetivos a promoção do pleno emprego, a melhoria dos níveis de vida, o estabelecimento de políticas que incentivem uma divisão equitativa da renda, o reconhecimento do direito à negociação coletiva e, em geral, o trabalho em favor da justiça social.
Organização para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Fundada em 1946, a UNESCO tem por finalidade aprofundar a relação entre todos os povos do mundo por meio da educação, da ciência e da cultura. Tem sede em Paris e promove freqüentes campanhas de esclarecimento da opinião pública. Assumiu a defesa de muitos dos grandes temas do século XX, como a universalização das oportunidades educacionais, a democratização das artes, os direitos da mulher e de todas as minorias discriminadas.
Organização Mundial de Saúde (OMS).
A OMS foi criada em 1946 e tem sede em Genebra. Colabora com os organismos encarregados das questões sanitárias de todos os países, particularmente os subdesenvolvidos. Empenha-se em obras de socorro e assistência direta a comunidades atingidas por todo tipo de catástrofe natural, guerra civil, epidemias etc.
A estrutura geral de todos os organismos especializados é semelhante. Cada um deles tem uma conferência geral em que todos os membros estão representados. Essa conferência elege um conselho executivo, que se encarrega de propor iniciativas e de cumprir as decisões da conferência geral. Cada organismo tem uma secretaria permanente, com um diretor. Muitos organismos têm subcomissões regionais que operam em diferentes partes do mundo.
Direito internacional.
Em novembro de 1947, a Assembléia Geral estabeleceu a Comissão de Direito Internacional com vistas a codificar progressivamente as leis que regem as relações internacionais, inclusive questões pertinentes ao direito dos tratados e ao direito marítimo. Ocupa-se também de estudos sobre os procedimentos judiciais, sobre a jurisdição internacional no que concerne ao direito penal e sobre o conceito, a definição e as especificações da agressão entre os estados.
Indicadores econômicos e sociais
Variáveis quantitativas que permitem a comparação de aspectos sociais e econômicos de determinadas áreas, por exemplo, países ou estados. O indicador econômico reflete o estado de uma economia durante um determinado período. Como exemplo, podem ser citados o Produto Interno Bruto (PIB), a renda per capita e a inflação. Já o indicador social quantifica a qualidade de vida e o desenvolvimento social de uma população. Entre os mais conhecidos estão a mortalidade infantil, o analfabetismo e a taxa de desemprego.
Como se trata de uma média, um indicador sozinho não reflete a realidade de uma região. Por exemplo, se um país apresenta uma alta renda per capita, sua população não necessariamente vive bem, pois essa renda pode estar mal-distribuída. Somente a comparação de vários indicadores é que fornecerão um quadro mais próximo da realidade da área analisada.
O levantamento de dados estatísticos socioeconômicos é feito, em geral, por órgãos dos governos nacionais, estaduais ou municipais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil. Instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial e os vários órgãos da Organização das Nações Unidas (ONU) - como a Unesco, FAO e OMS - são as principais fontes de indicadores comparativos em nível mundial.
Expectativa de vida - Estimativa do tempo de vida que a criança, ao nascer, terá. Nos países mais desenvolvidos, os homens vivem em média, 71,2 anos e as mulheres, 78,6 anos. Nos menos desenvolvidos, as médias de idade caem para 62,4 e 65,3, respectivamente.
Exportações e importações - Valor monetário de todos os bens e serviços que um país vende ou compra do resto do mundo. Quanto maior o valor dessa participação, maior é a dependência do país em relação à economia internacional.
Fecundidade - Estimativa anual do número de filhos que cada mulher teria durante seu período reprodutivo. Considera os filhos nascidos vivos e as mulheres entre 15 e 49 anos. A média nos países mais desenvolvidos é de 1,71 filhos por mulher e, nos menos desenvolvidos, 3,29.
Força de trabalho - Total da população economicamente ativa, ou seja, as pessoas que geram riquezas para o país. Inclui, além dos trabalhadores, as Forças Armadas e os desempregados. Exclui os trabalhadores domésticos, os voluntários não-remunerados e os empregados no setor informal.
Índice de desenvolvimento humano (IDH) - Desenvolvimento da população de um país em três aspectos: vida longa e saudável, conhecimento e padrão de vida decente. Os indicadores que representam essas condições são: expectativa de vida, grau de escolaridade e renda per capita da população. O IDH é uma média simples desses três indicadores, variando em uma escala de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor é a qualidade de vida. Quanto mais próximo de 0, pior ela é.
Índice de Pobreza Humana (IPH) - Indica a privação da população de um país em três elementos essenciais: longevidade, conhecimento e padrão de vida adequado. O primeiro elemento é dado pela porcentagem de pessoas que não esperam sobreviver aos 40 anos, e o segundo, pela porcentagem de adultos analfabetos. O terceiro elemento é formado por três variáveis: o total de pessoas sem acesso à água potável, o número de adultos sem acesso aos serviços de saúde e o total de crianças com menos de cinco anos subnutridas. O IPH é dado a partir de uma média simples desses três elementos. Quanto maior a porcentagem obtida, maior a pobreza do país.
Mortalidade infantil - Número de crianças que morrem no primeiro ano de vida entre mil nascidas vivas em um determinado período. A média nos países mais desenvolvidos é de nove mortes por mil nascidos vivos e, nos menos desenvolvidos, 63.
Oferta diária de calorias -Mede o equivalente, em calorias, da oferta líquida de alimentos de um país, dividido pelo número de habitantes, por dia.
Paridade de poder de compra (PPP) -A quantidade de moeda do país que é necessária para comprar o mesmo que um dólar americano (moeda de referência) pode comprar nos Estados Unidos.
Participação no PIB - Indica o porcentual com que cada estado contribui para o PIB do Brasil.
PIB - Representa o produto interno bruto da economia de um país. É a soma do valor monetário final de bens e serviços produzidos dentro do país. Mede sua capacidade produtiva: quanto mais alto o PIB, mais rico ele é.
PNB
Compreende o PIB mais o rendimento líquido do exterior. Esses rendimentos são pagamentos que os residentes do país recebem do exterior, e que contribuem para a economia interna.
População com 1º grau -Porcentagem da população que completou ou está cursando o 1º grau (ensino básico).
PNUD
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (ou PNUD) é o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem por mandato promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo. Entre outras atividades, o PNUD produz relatórios e estudos sobre o desenvolvimento humano sustentável e as condições de vida das populações, bem como executa projetos que contribuam para melhorar essas condições de vida, nos 166 países onde possui representação. É conhecido por elaborar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), bem como por ser o organismo internacional que coordena o trabalho das demais agências, fundos e programas das Nações Unidas - conjuntamente conhecidas como Sistema ONU - nos países onde está presente.
Além disso, o PNUD dissemina as metas de desenvolvimento do milênio, conjunto de 8 objectivos, 18 metas e 48 indicadores para o desenvolvimento do mundo, a serem cumpridos até 2015, definidas pelos países membros da ONU em 2000, e monitora o progresso dos países rumo ao seu alcance.
AID - Associação Internacional de Desenvolvimento
Criada em 24 de setembro de 1960, a Associação Internacional de Desenvolvimento (AID) é o organismo do Banco Mundial que fornece empréstimos sem juros e subsídios aos países mais pobres. Suas intervenções visam a apoiar o crescimento econômico, reduzir a pobreza e melhorar as condições de vida das populações.
Os empréstimos da AID são de longo prazo e sem juros. Servem para financiar programas que reforçam as políticas, as instituições, as infra-estruturas e o capital humano para que os países possam se desenvolver de maneira equitativa e ecologicamente sustentável. Os subsídios da AID são destinados aos países pobres vulneráveis ao endividamento excessivo ou com surtos de HIV/Aids ou atingidos por catástrofes naturais.
Quem pode ser beneficiado
Três fatores determinam a possibilidade de um país ser um receptor de recursos da AID:
A PNB per capita do país deve ser de menos de 965 dólares americanos por ano.
A falta de solvência do país, o que impede o país de adquirir empréstimos com as taxas praticadas pelo mercado, o que torna imprescindível a obtenção de recursos para financiar seu desenvolvimento.
Um bom desempenho em matéria de adoção de políticas, ou seja, a colocação em prática de obras políticas, econômicas e sociais que incentivem o crescimento econômico e reduzam a pobreza.
Os países que podem receber recursos da AID porque possuem baixo PNB per capita, tais como Indonésia e Índia, mas possuem crédito internacional para captarem empréstimos do mercado, são chamados de países com financiamento misto.
Situação de aprendizagem 3
O COFLITO NORTE E SUL
PROJETO:
Esta Situação de Aprendizagem resga¬ta e aprofunda o tema da regionalização do espaço mundial. Em particular propõe e dis¬cute a divisão entre países do "Norte" (ricos, desenvolvidos) e países do "Sul" (pobres, em desenvolvimento), buscàndo demonstrar seu significado político e econômico.
Conteúdos: conceito de regionalização; características da regionalização Norte e Sul; análise e diferen¬ciação dos conceitos de desenvolvimento e subdesenvolvimento; diferenças de desenvolvimento econô¬mico entre nações; estudos de caso representativos das relações entre graus diferenciados de desenvolvi¬mento econômico e emissão de gases de efeito estufa.
Competências e habilidades: ler e interpretar mapa sobre as emissões de CO2 no mundo; comparar mapas para formular hipóteses; ler e interpretar mapa sobre migrações internacionais; produzir textos sobre as migrações internacionais refletindo sobre a situação dos imigrantes na Europa.
Estratégias: leitura e interpretação de mapas; aulas expositivas; quadro conceitual; grupos de investiga¬ção; pesquisa e leitura de artigos de jornais; redação.
Recursos: mapa; gráficos; textos jornaJisticos; lousa.
Avaliação: participação individual nas discussões e em grupos de investigação; elaboração e entrega dos trabalhos solicitados.
CONTEÚDO
Emissão de CO2 no mundo cai; líderes discutirão pacto
A recessão deve causar a mais profunda queda nas emissões de gases do efeito estufa em 40 anos, segundo uma estimativa divulgada nesta segunda feira, enquanto líderes mundiais seguem rumo a Nova York para tentar romper o impasse sobre a formatação de um novo pacto climático global.
As emissões em todo o mundo de dióxido de carbono, principal gás resultante da ação humana causador do efeito estufa, vão cair cerca de 2,6% em 2009, como resultado da queda da atividade industrial em todo o mundo, informou nesta segunda-feira a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).
O mundo tem de aproveitar essa queda para conduzir uma luta global contra as mudanças climáticas em vez de permitir que as emissões cresçam novamente, como aconteceu em recessões anteriores, disse Fatih Birol, economista-chefe do IEA, em entrevista à Reuters.
"Esta queda nas emissões e em investimentos em combustíveis fósseis somente terá significado com um acordo em Copenhague, que envie um sinal para investidores na direção do baixo teor de carbono," disse ele, referindo-se à cúpula da ONU em dezembro na capita da Dinamarca.
As negociações estão estancadas na questão da divisão entre países ricos e pobres do quanto de emissões cada parte terá de reduzir até 2020 e, também, em como arrecadar talvez 100 bilhões de dólares por ano para ajudar as nações pobres a combaterem o aquecimento e se adaptarem às consequências das mudanças climáticas, como a elevação das marés e a desertificação.
Alguns especialistas expressaram dúvidas de que a recessão e a queda da produção industriam possam levar a um desenvolvimento mais sustentável.
As emissões de carbono dos EUA vão diminuir 6% este ano, informou a IEA duas semanas atrás, e as da Europa vão cair entre 4 e 5%, disse à Reuters o analista Mark Lewis, da Deutsche.
Em contrapartida, as emissões de carbono e a produção industrial estão crescendo nos países em desenvolvimento, especialmente no maior emissor mundial de carbono, a China, mas o total do planeta vai se reduzir de modo geral, de acordo com a IEA.
China e EUA
A China e os EUA, principais emissores, responsáveis por mais de 40 por cento do total mundial.
O presidente chinês, Hu Jintao, deve apresentar na cúpula planos para o enfrentamento do aquecimento global. A especulação é de que ele definirá metas para contenção da "intensidade do carbono" .
Migração E Xenofobia
No final do século XIX e começo do século XX, muitos imigrantes italianos vieram para o Brasil, também em busca de uma vida melhor. Essa situação mudou. Agora é a Itália que recebe imigrantes de outras partes do mundo.
Os movimentos populacionais da globalização mudaram de direção: realizam-se de países subdesenvolvidos para países desenvolvidos. A grande distância econômica que separa os dois grupos de países fez surgir esse novo tipo de migração internacional.
Além disso, os conflitos étnicos, religiosos e políticos da última década deslocaram compulsoriamente milhares de pessoas de sua pátria.
Podemos distinguir, entre os movimentos migratórios, duas categorias principais: as migrações por motivos econômicos e as migrações por motivos políticos, que compreendem os refugiados e os perseguidos políticos.
Migrações por motivos econômicos
Os Estados Unidos e os países da União Européia são os "paraísos" mais procurados pêlos imigrantes da globalização. Para a União Européia convergem populações da Europa oriental, do Norte da África e, principalmente, da Ásia, sendo a Turquia a maior fornecedora de imigrantes para a Europa ocidental.
Como esses países possuem severas leis que regulamentam a imigração, suas fronteiras são fortemente vigiadas e, muitas vezes, acontecem confrontos entre policiais e imigrantes ilegais. Duas importantes fronteiras geopolíticas destacam-se no mundo atual: a fronteira México - Estados Unidos e as cidades espanholas de Ceuta e Melilla, na costa do Marrocos.
A fronteira entre México e EUA é um constante foco de tensão entre os dois países, em virtude do grande número de pessoas procedentes de vários países latino-americanos que procuram entrar nos Estados Unidos clandestinamente.
Os Estados Unidos construíram uma cerca severamente monitorada por policiais na fronteira com o México. Os 3 200 km de fronteira sempre foram um foco de tensão entre os dois países. A Espanha já cogitou fazer algo semelhante em Ceuta.
O movimento de população já foi mais intenso entre os países da União Européia. Entretanto os benefícios concedidos a países membros de economia mais fraca têm ajudado a diminuir os movimentos no interior dessa comunidade.
Hispânicos Nos Eua
Em 1990, os Estados Unidos tinham 148.709.873 habitantes, dós quais 9% eram hispânicos. Hoje, o percentual é de 12,5%.
O aumento expressivo da população hispânica dos Estados Unidos, nos últimos anos, não significa essa contingente esteja integrado na sociedade americana. Uma prova disso é que não são considerados brancos no censo demográfico, Os "não-brancos" de origem hispânica, ou melhor, da América Latina, vivem segregados, formando "colônias", conforme as nacionalidades, nas maiores cidades do país. Mexicanos, cubanos, colombianos, porto-riquenhos e outros nativos de vários países da América Central são todos hispânicos para o censo americano.
Entretanto, cada um tem seu perfil definido pela polícia americana: os colombianos são acusados dê tráfico de drogas e quase todos os outros, juntamente com os negros, são tidos como suspeitos de crimes.
Problemas da imigração
Os imigrantes que conseguem entrar nos países mais ricos enfrentam inúmeros problemas. Geralmente em condições ilegais, fazem trabalhos que os habitantes locais não se dignam a fazer.
A imigração ilegal ocasiona outro grave problema: o tráfico de imigrantes. Esse é um negócio lucrativo e que está crescendo cada vez mais. A prática é comum em países da América Latina, inclusive no Brasil. No entanto é mais ativa no Leste europeu e no Norte da África, onde há um grande número de pessoas que pretendem ingressar na União Européia.
O imigrante enfrenta, ainda, a intolerância, o racismo e a discriminação.
A xenofobia e a intolerância
O ódio ao estrangeiro, ou xenofobia, e o racismo crescem rapidamente no mundo globalizado. A concorrência no mercado de trabalho tem sido a principal causa da discriminação de imigrantes nos países ricos. Mas não é a única.
Grupos extremistas unem a xenofobia à intolerância contra as minorias (negros e homossexuais) e praticam atos de extrema violência. É o caso dos skinheads, organização neonazista que age sobretudo na Alemanha.
Fuga de cérebros
Os países desenvolvidos disputam os melhores cientistas e pesquisadores para suas áreas de tecnologia de ponta. O Brasil, embora subdesenvolvido, conta :om bons profissionais e instituições para o desenvolvimento de novas tecnologias, na área da agricultura, da saúde, da informática, etc. Outros países, como índia, Argentina e Chile, estão na mesma situação.
Muitos desses profissionais são cobiçados por países ricos e tentados por ofertas compensadoras de salário. Outros buscam apenas um maior aperfeiçoamento para, mais tarde, retornar ao seu país de origem.
As baixas taxas de natalidade e as aposentadorias tornam os países da União Européia os maiores candidatos a precisar importar "cérebros", nos próximos anos. O Brasil conta com um conceituado número de cientistas e pode sofrer baixas em suas equipes de pesquisas.
Alguns países da União Européia (Alemanha, França e Reino Unido) têm adaptado suas legislações imigratórias, que ficam mais flexíveis para receber "cérebros" de países subdesenvolvidos, principalmente da índia, da Colômbia, da Argentina e do Brasil.
Migrações por motivos políticos e religiosos
Como vimos, além da procura por trabalho, conflitos étnicos e religiosos também são motivo de mudança de populações.
Refugiados
Atualmente, grande parte dos imigrantes pertence a um grupo especial: são os refugiados - pessoas que fogem de guerras ou de perseguições em sua pátria.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR, em português, e UNHCR, em inglês) define como refugiados "pessoas que saem de seu país de origem (podendo ou não regressar) porque correm o risco de ser mortas por perseguições religiosas, políticas e raciais". O Alto Comissariado foi criado em 1951 para tentar solucionar essa situação, que é uma das grandes tragédias da atualidade. O ACNUR calcula que, em cada 280 pessoas no mundo, uma seja refugiada.
O Alto Comissariado realiza as seguintes tarefas:
- Providencia asilo a refugiados que não querem voltar ao seu país de origem.
- Ajuda os refugiados que preferem retornar ao seu país, depois que a situação se acalma.
- Consegue recolocação para refugiados que não podem regressar ao seu país de origem.
- Presta auxílio a pessoas que sofrem perseguições em seu próprio país, mas não podem fugir (IDPs, sigla do inglês Internally Displaced Persons Instruments).
Os IDPs
São pessoas que sofrem perseguições dentro do seu próprio país, sem poder contar com a proteção do governo. São o grupo de imigrantes que mais cresce no mundo, Esses casos são comuns na Bósnia - Herzegovina, no Sri Lanka, no Azerbaijão, em Serra Leoa, na Rússia e no Afeganistão. Nesse país, o movimento de refugiados aumentou consideravelmente após os ataques dos Estados Unidos, em resposta ao atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova York.
Movimento de populações nos continentes
África, Refugiados das guerras civis procuram áreas mais estáveis e menos pobres. Nigéria e Camarões têm sido muito procurados.
Ásia. Japão, Israel, países produtores de petróleo e tigres asiáticos são os que recebem mais imigrantes do continente. No exterior, os três destinos preferidos dos asiáticos são:
- Austrália (23,6%), Canadá (31,4%) e Estados Unidos (25,2%).
- Europa. O Eldorado do continente é a União Européia (Europa ocidental), que recebe imigrantes da Ásia, África, América e de outras partes da Europa. A Albânia, o país mais pobre do continente, já teve sérios problemas com a Itália por causa de imigração ilegal.
- América do Norte. Recebe, principalmente, imigrantes da América Latina e da Ásia.
Situaçãod e Aprendizagem 4
GLOBALIZAÇÃO E REGIONALIZAÇÃO ECONÔMICA
PROJETO
Esta etapa é dedicada a levar os alunos a organizar as informações que possuem sobre o tema globalização e regionalização. Assim, propomos estratégias visando a possibilitar um primeiro momento de aproximação com esse tema, cujo aprofundamento somente será oportuno nas demais Etapas desta Situação de Aprendizagem.
Conteúdos: conceitos de bipolarização e multi polarização; o mundo bipolar e multipolar; a cartografia da Guerra Fria; blocos econômicos mundiais; megablocos regionais (Nafta, União Europeia, Bacia do Pacífico e Apec), globalização e fragmentação, conflitos geopolíticos e étnico-culturais regionais.
Competências e habilidades: leitura, interpretação e produção de textos (narrativas, textos de pesquisa, textos técnicos) e descontínuos (mapas, fotos, filmes); leitura e análise de textos argumentativos dis¬tinguindo pontos de vista diferentes; extração de informações implícitas e/ou explícitas de textos de diversas naturezas; elaboração de mapas e quadros conceituais; comparação de dados representados em diversas linguagens
Estratégias: elaboração de quadro conceitual; consultas e leitura do material didático adotado; pesquisa e leitura de artigos de jornais, revistas e internet; grupos de investigação; exibição de filme e posterior comentários do professor e relatório; elaboração de trabalho escrito.
Recursos: material didático adotado; mapa; textos jornalísticos e didáticos; internet; vídeo; lousa.
Avaliação: participação individual nas discussões e exercícios propostos; aulas e grupos de investigação; entrega e leitura do artigo jornalístico solicitado; elaboração e entrega de quadro conceitual; relatório de vídeo.
CONTEÚDO
O COMERCIO MUNDIAL
Incomodado com o crescimento da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), o Canadá partiu para a retaliação e, em fevereiro de 2001, proibiu a importação da carne bovina brasileira, sob a alegação de que estava contaminada pelo mal da "vaca louca". Os veículos de comunicação no Brasil deram destaque ao assunto, que trouxe à discussão as regras do comércio internacional. Muitas dúvidas surgiram:
- Existe alguma entidade que regula as trocas comerciais entre os países?
- Como funcionam os blocos econômicos?
Na verdade, para responder a essas perguntas, é muito importante saber que as trocas comerciais são realizadas, simultaneamente, de duas maneiras no mercado mundial -sob a forma de relações multilaterais e através da regionalização criada pêlos blocos econômicos.
O comércio multilateral
Consideramos como comércio multilateral aquele que é realizado pêlos países fora de seus blocos econômicos. Vimos que, na época colonial, valia a lei do mais forte, em que o monopólio exercido pelas metrópoles penalizava as transações comerciais das colônias.
Somente após a Segunda Guerra Mundial, começaram as discussões para criar uma entidade que regulamentasse o comércio multilateral em escala mundial e, desse modo, fosse possível evitar favorecimentos e protecionismos.
A mesma reunião de Bretton Woods, que em 1944 criou o FMI e o Banco Mundial, havia previsto formar uma organização com essa finalidade - a Organização Internacional do Comércio (OIC). Após a criação da ONU, iniciaram-se os trabalhos para a redação da Carta da OIC, que duraram dois anos (1946-1947) e resultaram na Carta de Havana, documento que instituiria a Organização Internacional do Comércio. Entretanto, o documento não conseguiu unanimidade para ser ratificado pêlos 56 países reunidos em Cuba, em novembro de 1947.
Dessa forma, a única saída foi a aprovação de um acordo provisório, assinado por 23 países, entre eles o Brasil, que entrou em vigor em lº de janeiro de 1948. O Acordo Geral de Comércio e Tarifas (GATT, sigla do inglês General Agreement of Tariffs and Trade), a princípio um "arranjo provisório", durou até 1995, quando se tornou a Organização Mundial do Comércio (OMC), após anos de várias reuniões denominadas rodadas, das quais a mais longa foi a Rodada Uruguai (1986-1993).
O GATT tinha caráter provisório e não incluía os países do bloco socialista, mas realizou alguns progressos em acordos multilaterais e na redução de tarifas alfandegárias. Estabeleceu a principal regra para o comércio mundial: o Princípio de Não Discriminação, que proíbe diferenças de tratamento entre os países membros ou protecionismos. Esse continua sendo o princípio básico da OMC.
A Rodada Uruguai começou em Punta dei Este, em 1986, e terminou no Marrocos, em 1993, com a Declaração de Marrakech, assinada por 114 dos 125 países participantes. Com essa Declaração, estava criada a Organização Mundial do Comércio, em l de janeiro de 1995, com sede em Genebra, Suíça. Desde a Conferência Ministerial realizada em Catar, de 9 a 13 de novembro de 2001, a OMC é constituída por 143 países membros e 31 observadores. A República Popular da China e Taiwan foram os dois última membros admitidos na organização.
GATT e OMC
Na realidade, existem algumas diferenças básicas entre o GATT e a OMC. O primeiro era só um "acordo provisório", embora tenha durado quase cinquenta anos. Como era provisório, suas regras de conduta para o comércio mundial não tinham bases muito sólidas. Qualquer país podia vetar a decisão tomada pelo painel do GATT, em qualquer disputa comercial. Hoje, quem viola as regras da OMC deve retroceder, sob pena de sofrer sanções comerciais. A OMC tem países membros (é uma organização); o GATT tinha "partes contratadas" (era um acordo).
Quando esse acordo foi criado, o comércio mundial era dominado por bens e produtos (agrícolas, minerais, industriais). Porém, com o passar do tempo, a economia mundial ficou muito mais complexa. O comércio mundial de serviços (transportes, turismo, bancos, seguros, telecomunicações) ou de idéias (consultoria, livros, patentes), classificados como propriedades intelectuais, tornou-se extremamente importante.
Foi exatamente nesses setores que a OMC ampliou o GATT, que foi extinto como órgão, mas teve preservados os seus acordos para o comércio de bens e produtos, fazendo parte dos tratados da OMC.
Complementando sua atuação, a OMC regulamentou o comércio de serviços em uma série de acordos denominados GATS (General Agreement on Trade in Services). Os direitos às propriedades intelectuais foram disciplinados nos TRIPS (Agreement on Trade Related Aspects of Intellectual Property Rights).
Dessa forma, a OMC reuniu três acordos em uma organização com um só sistema de regras e de resolução de disputas comerciais entre os países.
Enfim, a OMC tem síaítis permanente, é uma organização internacional (como o FMI e o BIRD), e suas resoluções têm base legal porque seus membros concordaram em seguir as regras estabelecidas. Não é apenas uma extensão do GATT, mas uma instituição com um forte poder mundial, da qual fazem parte os acordos do GATT.
Princípios da OMC
Os princípios básicos do GATT, em relação aos produtos, foram aplicados e ampliados pela OMC para todo o comércio multilateral.
Podemos resumir as principais regras da organização em alguns pontos básicos:
- Não discriminação dos países membros: não deve haver uma nação mais favorecida que outras.
- Reciprocidade: mercadorias importadas e nacionais devem ter condições igualitárias, pelo menos quando as importadas já estiverem dentro dopais.
- Acesso aos mercados em igualdade de condições; redução de obstáculos ao comércio internacional.
- Concorrência leal: a OMC não é uma instituição de livre-comércio, mas "um sistema de normas consagradas, fundamentadas em uma concorrência livre, leal e sem distorções".
TRIMS
A OMC também se preocupa com o capital especulativo e a ação das transnacionais no mundo. Por isso, foram estabelecidos acordos para as medidas relacionadas com investimentos e ligadas ao comércio CTRIMS, sigla do inglês Agreement on Trade Related Investment Measures
Assim caminha a OMC
Marcada para 1999, em Seattle (EUA), a esperada Rodada do Milênio da OMC, que definiria os rumos da organização no novo século, não teve sucesso. Desentendimentos entre países ricos e pobres, bem como manifestações de ambientalistas, sindicatos e ONGs contrárias à globalização, impediram a sua realização.
Durante a quarta Conferência Interministerial da OMC, realizada em Doha, Qatar, além do ingresso da China e de Taiwan na organização, foram decididos assuntos importantes, como:
- a quebra das patentes para a produção de remédios genéricos para países pobres que enfrentam epidemias;
- o acordo entre Estados Unidos e União Européia em rever subsídios e medidas protecionistas praticados por ambos, em vários setores;
- o compromisso dos países em desenvolvimento de abrir mercados para a atividade bancária e para o setor de seguros, além de condicionar preocupações ambientais a discussões comerciais.
No fim do encontro, os participantes decidiram que as negociações sobre os temas da Rodada da OMC, iniciada em Doha, seriam retomadas no fim de janeiro de 2002.
OMC ou regionalização?
Uma das características da globalização, como já vimos, é a formação dos blocos econômicos regionais. seriam eles rivais da OMC?
Na verdade, são processos de comércio diferentes. Porém, se por um lado a formação de blocos favorece o livre-comércio, como a OMC, por outro, ameaça o princípio da Nação mais Favorecida (NMF), porque há regalias para os países membros (o artigo 24 do GATT abre exceção para participantes dos blocos).
Apesar disso, a organização pretende que a criação de blocos seja um aliado para um comércio cada vez mais aberto, uma vez que o comércio regional deve complementar e não ameaçar o funcionamento multinacional das atividades comerciais.
O mundo em blocos
Desde que os países europeus ocidentais optaram pela integração econômica para enfrentar a concorrência dos Estados Unidos, no mundo pós-guerra, a fórmula tem sido seguida em outros continentes, porém com o mesmo objetivo: ficar mais fortes no cenário internacional.
A atual União Européia tem um alto grau de integração, mas nem todos os blocos que se formaram adotaram as mesmas medidas. Podemos considerar diferentes graus de integração entre as diversas associações;
Zona de livre-comércio. Nesse tipo de bloco, a intenção é apenas criar uma área de livre circulação de mercadorias e capitais: Ex.: Nafta -Acordo de Livre-Comércio da América do Norte.
União aduaneira. Além da zona de livre circulação de mercadorias e capitais, na união aduaneira é usada uma tarifa externa comum (TEC) em relação a países que não pertencem ao bloco. Ex.: Mercosul.
Mercado comum. Além de apresentar as mesmas características das associações anteriores, o mercado comum compreende a livre circulação de pessoas e a padronização das legislações econômica, trabalhista, fiscal e ambiental. Ex.: União Européia até dezembro de 1998.
União política e econômica. Atual estágio da União Européia, após a adoção da moeda única, o Euro.
Os maiores blocos econômicos da globalização são: União Européia, Nafta, Mercosul e Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico).
Um Bloco Diferente
Com a evolução da atual fase do capitalismo e o surgimento de novos pólos de poder econômico, podemos considerar um bloco no qual os países não assinaram acordos formais para a sua constituição.
Houve, sim, uma forte influência de um país, o Japão, que reuniu, ao seu redor, uma série de países que têm suas economias ligadas ao crescimento japonês. É a bacia do Pacífico ou bloco do Pacífico, considerada uma área de integração por investimentos.
Entenda O "Blocones"
Para compreender melhor como funcionam os blocos econômicos, veja o significado de algumas expressões usadas para defini-los.
-Tarifa : É o Imposto cobrado para a entrada de mercadorias em um país.
- TEC - Tarifa Externa Comum: É uma tarifa comum, cobrada por um grupo de países que, na qualidade de sócios, exigem o mesmo imposto à entrada de mercadorias provenientes de países que não fazem parte do bloco.
- Dumping: É a venda em um mercado estrangeiro de um produto a preço "abaixo de seu valor justo", geralmente menor do que o preço cobrado pelo produto dentro dopais exportador, ou quando é vendido para outros países. De modo gerai, o dumping é reconhecido como uma prática injusta de comércio, passível de prejudicar os fabricantes de produtos similares no país importador.
- Subsídios: São benefícios econômicos que um governo concede aos produtores de bens, muitas vezes para fortalecer sua posição competitiva. O subsidio pode ser direto (subvenção em dinheiro) ou indireto (crédito à exportação com juros baixos, por exemplo).
Pesquisa e produção:
Professor Miguel Jeronymo Filho
Edição
2010
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